Corte de dividendos não soluciona dívida da Oi, diz Bloomberg

Para alguns analistas ouvidos pelo portal de notícias norte-americano, aumento de capital é necessário para saldar dívida da companhia

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SÃO PAULO – O corte de dividendos e a venda de ativos não-estratégicos da Oi (OIBR3; OIBR4), totalizando cerca de R$ 4 bilhões, ainda representa apenas o início de um processo para reduzir a dívida líquida da companhia para o máximo estabelecido de três vezes os ganhos, o que impediu a distribuição de dividendos extraordinários em agosto.

Para alguns analistas consultados pelo portal Bloomberg, um aumento de capital é necessário para a companhia saldar suas dívidas e se igualar com suas concorrentes em termos de qualidade, como pontuou Robin Bienenstock, analista da Sanford C. Bernstein Co. Bienenstock comentou ainda que a Portugal Telecom, maior acionista da companhia, não deve liberar mais dinheiro para a Oi em função de sua própria carga de dívida. Com isso, o ônus da injeção de capital deve ficar com os parceiros Andrande Gutierrez S.A e La Fonte Participações S.A.

Já para os analistas Susana Salaru e Gregorio Tomassi, do Itaú BBA, a empresa mostrou disciplina ao respeitar os limites de sua política de dividendos, mas comentaram que a estrutura acionária da companhia não parece sustentável no longo prazo. Ainda segundo o relatório do Itaú BBA, destacado pela Bloomberg, existem vários formatos de reestruturação que poderiam ser aplicados na empresa, mas todos exigem aumento de capital, uma vez que os controladores da Oi precisam do pagamento dos dividenndos para saldar suas dívidas.

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Investimentos e troca de presidente
Por outro lado, para o analista Alex Pardellas, da Securities CGD, não há razão para aumento de capital, uma vez que a companhia deve, em sua visão, manter seus investimentos em infraestrutura. Além disso, ressaltou o analista, as vendas de ativos estão contribuindo para reduzir a dívida.

No mês passado a Portugal Telecom enviou seu presidente, Zeinal Bava, para comandar a Oi, após a saída do executivo Francisco Valim. Para o analista Andres Medina-Moreira, da Corporativo GBM SAB, a troca representa o começo de uma mudança de estratégia, para geração de valor aos acionistas no longo prazo e a necessidade de injeção de capital dependerá dos próximos trimestres.