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SÃO PAULO – Os analistas avaliam o balanço referente ao terceiro trimestre da Suzano (SUZB5), divulgado pela companhia na última sexta-feira (28), como “fraco”, destacando o alto nível de endividamento alcançado pela empresa, o prejuízo líquido e as quedas nas margens.
A Suzano reportou um prejuízo líquido de R$ 426 milhões no período, que representa uma queda de 256% em comparação com os últimos 12 meses. O analista Luiz Otávio Broad, da corretora Ágora, avalia que o resultado foi prejudicado pela perda financeira de R$ 555,5 milhões com a variação cambial proveniente da dívida em moeda estrangeira, por conta da forte da desvalorização do dólar frente à divisa brasileira no trimestre.
Custos e preços pressionam margens
Apesar do crescimento de 17,2% no volume de vendas no período e o avanço de 6,1% da receita líquida para R$ 1,23 bilhões, principalmente por conta da integração com a Conpacel, outro fator citado pelos analistas como responsável pelo fraco resultado da companhia no trimestre, foi a queda no preço-médio de papel e celulose, segundo Victor Penna e Carlos Daltozo, analistas do BB Investimentos.
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O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia de papel e celulose registrou uma queda de 36% em relação ao 3T10, chegando à marca de R$ 261,3 milhões, enquanto a margem Ebtida teve um recuo de 14 p.p., para 21,2%, pressionados pelo aumento de 32,7% do CPV (custo de produtos vendidos) no 3T11, para R$ 1,02 bilhões.
“As causas principais para a contração das margens foram a queda no preço da celulose – 6,9% no 3T11 -, aumento no custo de mercadorias vendidas, dadas as vendas mais fortes de papel no período e gastos com manutenção mais elevados, além da redução dos preços do papel – de 16,3% no período”, constatam os analistas do Itaú BBA, Marcos Assumpção e André Pinheiro.
Endividamento preocupa
Todos os analistas são unânimes em reportar a dívida líquida da Suzano como preocupante, uma vez que a relação Dívida Líquda/Ebtida de 4,2x no terceiro trimestre deste ano ficou bem acima da meta de 3,5x estabelecida pela empresa, por conta do impacto contábil da variação cambial.
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“Para reduzir seu nível de alavancagem, a empresa pretende se desfazer de sua participação na Usina Campim Branco e concluir a venda de terras em São Paulo nos próximos meses. Além disso, há a possibilidade da busca de parceiros para a capitalização da Suzano Energia Renovável”, afirma o braço de investimentos do Banco do Brasil.
Perspectiva e recomendações
A corretora Ativa tem perspectivas negativas para os próximos resultados da Suzano, “principalmente pela performance recente do preço da celulose, que deve limitar a melhoria operacional da companhia”, segundo a analista Daniella Maia.
Enquanto isso, o BB Investimentos espera por estabilidade no preço da celulose, junto com um cenário de reposição de estoques pelo mercado asiático, fato que possibilitaria um avanço no volume de exportações. “No mercado de papel, os preços também devem ficar estáveis e a menor participação de produtos importados deve favorecer as vendas da empresa”, acreditam Penna e Daltozo.
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A corretora Ágora recomenda a compra dos papéis SUZB5, com o preço-alvo para o final de 2012 de R$ 17,00, com potencial de valorização de 97,7%. Já o Itaú BBA faz a recomendação marketperform, com target price de R$ 14,00 no mesmo período e upside de 62,8%. Ativa e BB Investimentos ainda mantém esses dados sob revisão.