Pagando caro

Comprando bananas a preço de ouro? Entenda o caso das ações da Cesp

Para equipe de análise do banco, a única coisa que faria gerar valor para a empresa agora seria uma privatização, mas quem pagaria para ser penalizado todo mês?

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SÃO PAULO – Comprar qualquer coisa por um preço acima do que vale parece uma atitude irracional. Olhando para o mundo real, é fácil perceber o que está caro ou barato. Com isso, em sã consciência, ninguém acharia um bom negócio comprar um imóvel para investimento por R$ 200 mil que geraria um aluguel mensal de R$ 10 mil, se houvesse um outro disponível (pagando o mesmo aluguel) por R$ 100 mil. Isso porque, no caso do último, você recuperaria o investimento em 10 meses enquanto, no outro, em apenas 20 meses. No mundo físico é mais fácil perceber essas distorções, mas, na Bolsa, situações como essa ocorrem aos montes, já que encontrar o real valor de uma empresa e, consequentemente, sua ação necessita de um pouco mais de trabalho. 

Usando essa premissa, o BTG Pactual faz o mesmo questionamento, mas voltado agora especificamente aos acionistas ou futuros investidores da Cesp (CESP6): faz sentido comprar a ação da Cesp acima dos R$ 16,00 por ação? Para a equipe de análise do banco, não. Mas há muita gente fazendo exatamente isso agora. Neste pregão, o papel da elétrica encerrou a R$ 19,66 – ou seja, 22% acima do valor que o BTG avalia como “justo” para o papel. 

A avaliação do BTG leva em conta uma história recente sobre a empresa. Segundo uma reportagem do Valor, a sétima maior geradora de energia do País não tem planos ambiciosos depois do dia 7 de julho, quando vencem as concessões de suas duas principais hidrelétricas, que correspondem por 75% de sua capacidade instalada de geração. Na segunda semana do mês que vem, vencem as concessões das usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que somam 4,5 mil MW de potência. Após isso, a companhia ficará somente com a usina de Porto Primavera, de 1,5 mil MW (que vence em 2028), além de outras duas pequenas hidrelétricas, que somam 114 MW. 

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Segundo o BTG Pactual, o que poderia gerar valor para a empresa agora seria a privatização da Cesp, mas isso tem sido rechaçado pelo próprio Estado, como reforçado pelo secretário de energia de São Paulo, João Carlos Meirelles, na reportagem do Valor. O principal problema, segundo ele, diz respeito às despesas milionárias incorridas pelas hidrelétricas com déficit de geração hídrica. “Quem vai querer comprar uma usina para ser penalizado todo mês”, questionou. E, usando a mesmo questionamento do secretário, o BTG faz a pergunta para o investidor: por que qualquer acionista compraria (ou seguraria) o papel com cotação acima dos R$ 16,00 por ação? 

Com exceção desta sessão, que fecharam estáveis, as ações da companhia caíram nas últimas quatro, acumulando até hoje queda de 6%. No ano, os papéis da companhia registram queda de 8,6%.