Aviação

Companhias aéreas vão precisar de US$ 200 bi dos governos para não quebrar

Associação afirma que cerca de 75% das empresas do setor têm caixa para bancar apenas entre um e três meses de suas despesas

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(Getty Images)

SÃO PAULO – As companhias aéreas ao redor do mundo vão precisar de um montante entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões em ajuda governamental para não quebrarem com a crise de coronavírus. A conclusão é da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), que reúne as 300 maiores companhias do setor ao redor do mundo.

A projeção acontece após uma consultoria australiana de aviação prever que a maioria das empresas aéreas podem quebrar até o fim de maio por conta da pandemia.

Os números da IATA também vão na mesma direção: a associação afirma que cerca de 75% das companhias aéreas ao redor do mundo têm caixa para bancar apenas entre um e três meses de suas despesas.

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Na América Latina, o caixa das empresas é suficiente para pagar apenas metade das dívidas que vencem nos próximos 12 meses, enquanto nas demais regiões o caixa é suficiente para cobrir entre 50% e 80% das dívidas que vencem em neste período.

O setor é um dos mais afetados pela pandemia e tem visto seus problemas aumentarem após pelo menos 80 países emitirem restrições ou proibições de viagens.

“Nestes tempos extraordinários, pedimos aos governos para tomar algumas medidas extraordinárias”, afirmou Alexandre de Juniac, presidente da IATA, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (17).

A associação listou uma série de medidas que espera que os principais governos ao redor do mundo tomem para evitar que as empresas entrem em colapso. Uma delas é a suspensão das regras para manutenção de ‘slots’ (horários de pouso e decolagem) nos aeroportos. A União Europeia e o Brasil concederam a flexibilidade das regras até junho. Mas a IATA pede a extensão até o fim do ano.

A associação, no entanto, afirma que flexibilizar as regras não basta, é preciso também socorro financeiro. Por isso, montou uma lista com as três principais medidas financeiras que os governos precisam tomar.

A primeira seria o suporte financeiro direto para compensar receitas pedidas com a redução dos voos. A segunda seria empréstimos, garantias de empréstimos e suporte ao mercado de títulos corporativos pelo governo ou pelo Banco Central, diretamente à companhia aérea ou aos bancos comerciais que possam relutar em conceder crédito às companhias aéreas. Por fim, a terceira medida seria a isenção de impostos  — com descontos ou suspensão de todas das taxas para 2020.

Companhias ao redor do mundo

No momento, a maioria das companhias aéreas ao redor do mundo têm adotado medidas para preservar o caixa. Além de cortar voos, muitas estruturaram programas de demissão ou férias voluntárias e negociam empréstimos com bancos. Mas a maioria aguarda um auxílio adicional do governo.

As companhias aéreas chinesas estão sendo capitalizadas pelo estado. Pequim já anunciou um pacote de US$ 3 bilhões apenas para compensar as perdas das empresas no mês de fevereiro.

Na Europa, o grupo alemão Lufthansa está conversando com governos para obter um suporte financeiro. Já nos Estados Unidos, na segunda-feira (16) as empresas americanas exigiram mais de US$ 50 bilhões do governo.

No Brasil, as aéreas estão entre as maiores afetadas na Bolsa desde o início da pandemia e aguardam um pacote do governo para auxiliá-las.

Até agora, a empresa mais afetada pelo coronavírus foi a britânica Flybe, que encerrou suas operações no dia 05 de março. A companhia, que operava no mercado há 40 anos, já passava por uma grave crise financeira e os problemas se agravaram com a forte queda na demanda por viagens. O colapso da companhia deve afetar profundamente o mercado britânico, já que a aérea operava quase 40% de todos os voos regionais no país.

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