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SÃO PAULO – Quem operou vendido com CSN (CSNA3) – isto é, esperando a queda das ações da siderúrgica – foi surpreendido com a arrancada de 24% que os papéis acumulam neste mês. Motivados por expectativas de resultados ruins da empresa, por conta de uma deterioração macroeconômica, muitos investidores correram para alugar as ações da empresa (o aluguel com CSNA3 disparou 39% em julho). O que eles não contavam é que a empresa daria iniciou realmente ao programa de recompra de ações, contribuindo para essa arrancada dos papéis na Bolsa – hoje atingem o maior patamar desde janeiro de 2014.
Para apostar na queda de uma ação, o investidor precisa primeiramente alugar o papel depois para vendê-los. No caso da CSN, esse aluguel das ações saltou de 56.646.413 do dia 30 de junho para 78.759.294 no pregão de ontem. Olhando desde maio, essa arrancada foi ainda mais ampla: +82,81%. “O papel já está escasso no mercado de aluguel. A demanda foi muito grande nesses últimos dias”, comenta Guilherme Belloni, da mesa de BTC da XP Investimentos.
Assim como o aluguel, a taxa para “tomar” a ação alugada também disparou e atingiu na quinta-feira (17) 4,45% ao ano, em média. Entretanto, operadores do mercado comentam que ontem a taxa chegou a 24% a.a., enquanto a média histórica desse papel é próxima a 1% a.a..
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Por que os investidores foram pegos de “calças curtas”
A CSN vinha sendo muito demandada no BTC (Banco de Títulos CBLC – aluguel de ações) por uma perspectiva macroeconômica enfraquecida. A empresa é fornecedora das montadoras e as vendas de veículos vinham em forte queda, enquanto o preço de minério de ferro caía bruscamente. A CSN é a siderúrgica mais exposta na Bovespa à commodity. Ou seja, o mercado esperava por um resultado ruim da empresa, mas o programa de recompra se intensificou neste mês e o papel começou a subir.
Prevendo que os papéis não sustentariam por muito tempo essa alta, os investidores insistiram em seguir posicionados na venda, mas os preços não deram trégua e continuaram subindo.
Para Belloni, os investidores não conseguirão aguentar mais essa arracanda das ações – somente hoje, elas sobem 8,90%, a R$ 11,63, segundo cotação das 12h11 – e vão zerar as posições. Ou seja, é esperado que o aluguel mingue um pouco, pelo menos nos próximos dias, lembrando que a temporada do segundo trimestre começa na próxima segunda-feira e a empresa deve divulgar seus números em breve. Mas, até lá, o pano de fundo segue a recompra – hoje a empresa anunciou seu 5° programa de recompra de ações.
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Embora os três primeiros não tenham tido grande efeito nas ações – os papéis praticamente só andaram de lado por três meses, levando analistas a apontarem que a companhia não tinha comprado nada -, a partir do penúltimo isso mudou de figura.
Olhando os dados de cada pregão desde aquela data, é possível verificar que a Itaú Corretora – instituição escolhida pela CSN para intermediar o programa de recompra – é com larga vantagem a maior compradora dos papéis CSNA3 na Bovespa, o que se torna um grande indício de que a CSN está recomprando fortemente seu papéis. Hoje, em comunicado, a empresa informou que possuía 70,2 milhões em tesouraria e que já foram canceladas 60 milhões de CSNA3.
O novo programa pode trazer um gás para a empresa na Bolsa, já que os analistas que acompanham o setor mostravam-se preocupados com a força do rali após o término das recompras. Como os fundamentos da empresa não estão muito atraentes, as altas eram simplesmente justificadas pela forte pressão no lado comprador da “oferta x demanda”, e o fim desta procura poderia gerar uma pressão vendedora sobre os papéis.
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Como funciona o aluguel de ações?
O aluguel de ativos é muito utilizado pelos investidores que operam vendido, ou seja, que apostam na queda do papel. Eles (os “tomadores”) primeiramente alugam ações para posteriormente vendê-las. Depois que o preço recua, recompram a mesma quantidade de papéis por um preço mais barato para devolvê-los, ganhando com a diferença entre o valor da venda e da compra.
É importante lembrar que apostar na baixa do mercado costuma ser mais arriscado do que investir acreditando na alta, principalmente quando o investidor não tem muita experiência. Para isso, o investidor deve enxergar fortes indícios de que o papel vai cair, caso contrário, corre o risco de amargar prejuízos com a prática.
Para os “doadores” (quem empresta a ação), o maior risco é não poder operar com aquele papel enquanto ele estiver alugado. Com isso, se quiser se desfazer do papel por conta de alguma notícia ou movimento muito atípico, terá de esperar.