Oportunidade de negócio

Como ganhar dinheiro com podcast, segundo brasileiros que ganham

Cinco especialistas participaram de um debate sobre o tema em um evento em Belo Horizonte; confira alguns insights    

BELO HORIZONTE* – “Uma câmera na mão e é possível fazer um story para o Instagram ou um filme da Marvel que gera R$ 1 bilhão. Com podcast é a mesma coisa”, afirma Gus Lanzetta, produtor executivo da Half Deaf, em entrevista ao InfoMoney.

O podcast é a nova moda em produção de conteúdo. Muitas empresas estão investindo na produção de programas, mais pessoas passam a consumir o formato e os produtos estão ficando mais profissionais. Com isso, estão no caminho da rentabilidade – ainda que poucos tenham chegado lá. 

“A mídia do áudio on demand ainda precisa ser muito explorada e os formatos são infinitos. Mas as pessoas associam o podcast a uma coisa só: uma roda de conversa gravada. Mas é preciso entender que é muito mais que isso. Inclusive é uma forma de INFOtenimento”, afirma Lanzetta em um outro momento durante um painel com mais especialistas no tema em um evento organizado pela Hotmart, plataforma de cursos online, em Belo Horizonte.  

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Como monetizar?

Lanzetta explica que o podcast tem a menor barreira de entrada em termos financeiros dentro do universo de mídia – na comparação com produções em vídeo, por exemplo, o criador de conteúdo gasta consideravelmente menos. “Mas não se enganem, é bem caro”, diz. Por isso, o caminho para a rentabilidade pode ser mais curto.

Para Ivan Mizanzuk, criador do podcast Projeto Humanos, não existe um modelo único. “Se você me fizesse essa pergunta três anos atrás, teria um limite de respostas, mas hoje esse limite é muito maior e com o tempo vão aparecer cada vez mais opções e formas monetizar o produto”, afirma ao InfoMoney.  

Os especialistas que participaram do painel compartilharam algumas possibilidades, mas todos concordam em um aspecto: para ganhar dinheiro será necessário investir em produtos externos.

É possível, por exemplo, fazer eventos ao vivo, vender conteúdo exclusivo em formato em plataforma de assinatura, oferecer mercadorias físicas, patrocínio de marcas, parceria com empresas para ganhar comissão quando um produto anunciado for vendido, doação dos ouvintes, entre outros.

Jeska Grecco, publicitária, creator e podcaster no Imagine Juntas, acredita que transformar o digital no físico é “muito rico”. “Além de criar produtos relacionados em outras plataformas, pensar no mundo físico. Criar produtos, lojas do podcast. Monetizar um produto físico a partir do que está fazendo no digital é o caminho inverso e pode dar certo”, diz durante o painel. 

Segundo Mizanzuk, o Nerdcast, um dos podcasts mais rentáveis do Brasil, tem uma loja física que vende produtos. “Hoje eu faço evento sobre storytelling e [o ingresso] vende porque as pessoas conhecem o Projeto Humanos, principalmente, o Caso Evandro. Também recebo doações de ouvintes. Mas o que funcionou para mim não necessariamente vai funcionar para outra pessoa. Não há garantia de que sará certo e mais para frente tudo pode mudar”, complementa Mizanzuk.

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Lanzetta acredita também que o conteúdo que se tem vai ditar o caminho. Dependendo do que for produzido uma forma específica de monetização vai fazer mais ou menos sentido.

“Na Half Deaf sabemos fazer tudo o que envolve o podcast justamente para não depender de um momento específico da cadeia de rentabilidade. Não dependemos só de ads ou só de clientes. Seja usando como propriedade intelectual, que vai virar outro formato em outra mídia, conseguindo anunciantes, seja fornecendo como conteúdo exclusivo para uma plataforma que cobra assinatura ou que vende os próprios ads: nosso foco é viabilizar conteúdo de qualidade”, afirmou ao InfoMoney.

E complementa: “crie um conteúdo com qualidade e sempre vai haver um jeito de monetizá-lo. O que é bom, pode ser vendido”, afirma.  

Posicionamento de marca

Os criadores dizem que ainda há um longo caminho para desvendar a melhor forma de monetizar a relação entre o ouvinte consumidor e a marca na frente publicitária.

“As marcas já entenderam que precisam se conectar com o público porque ninguém olha mais para banners. E a indústria ainda olha pouco para podcast sendo que a retenção de usuários é muito alta. Fizemos um patrocinado em um dos episódios de uma hora sobre um tema que um banco propôs e a média de ouvintes foi acima do esperado”, afirma Carol Rocha, publicitária e ‘podcaster’ do Imagine Juntas, durante o painel.  

Como todo novo caminho, também acontecem erros. “As marcas querem entrar no negócio porque está em alta. Clientes querem fazer podcast sem ter conteúdo. A melhor coisa é entrar no podcast cujo público alvo é parecido com o da sua marca e fazer anuncio e não sair produzindo coisa ruim”, diz.

Ouça os podcasts do InfoMoney: “Do Zero ao Topo”“Stock Pickers”.

Conteúdo segmentado e futuro

Carol indica que a palavra chave do negócio é segmentação. “Não é sobre uma massa de pessoas. Não tem um ‘Faustão’ dos podcasts. É um negócio segmentado, é sobre nichos”, explica.

Mizanzuk também destaca que o ouvinte de podcast têm a experiencia de intimidade com um amigo ao ouvir algum programa. “Sente que estão falando com ele, é íntimo e provoca empatia – o que é uma das coisas que faz com que haja muita retenção de ouvintes”, diz.

Segundo ele, é raro atingir milhões de ouvintes em um podcast, pelo menos por enquanto. “É injusto comparar com os milhões de views do YouTube. Mas há exceções. Um podcast chamado Serial, de jornalismo investigativo dos EUA, atingiu 14 milhões de ouvintes.  A Globo está entrando agora e vai apresentar para muita gente. Estamos entrando em um novo nível”, afirma.

Lanzetta afirma que a tendência de tipos de programas em podcasts vai mudar.  “Os novos formatos não serão rodas de conversa. Quero estar na nova onda. O foco na Half Deaf é adiantar a tendência, então nosso foco é produzir programas narrativos e documentários”, afirma.   

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*A repórter viajou a convite da Hotmart