Comemore, Petrobras: combustível deve ficar “só” 13% abaixo do preço internacional

Se este patamar se confirmar em maio, esta será a menor diferença percentual entre os preços praticados por aqui e lá fora, mostra estudo da GO Associados

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SÃO PAULO – O resultado gerado a cada litro de gasolina importado pela Petrobras (PETR3; PETR4) e vendido no Brasil deve alcançar em maio o menor prejuízo desde o começo deste ano, estimam os analistas da GO Associados.

Levando em conta a política de congelamento nos preços da gasolina e diesel implementado pelo Governo Federal para conter elevações mais expressivas da inflação, o déficit projetado pela GO Associados entre o preço pago pela Petrobras para importar gasolina e o valor cobrado pela estatal aos consumidores brasileiros deve ser de 13% em maio – o menor desde dezembro do ano passado, quando as perdas foram de 12%. Em abril, o déficit da companhia foi de 16%, enquanto os piores meses foram fevereiro e março com perdas de 18%.

Segundo os analistas Fabio Silveira e Giovanna Fretegotto, que assinam o relatório da GO, a valorização do real deve contribuir para uma redução de 2,5% no preço internacional convertido em moeda brasileira do combustível em comparação com o mês anterior.

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O relatório, divulgado pela consultoria aos seus clientes na última quinta-feira (22), mostram que os dois principais fatores que devem ajudar a amenizar as perdas da estatal enquanto o preço da commodity no mercado doméstico não sai dos R$ 1,39 são a desvalorização do dólar ante o real e a queda do preço do barril de gasolina no mercado internacional. No segundo quesito, eles observam um recuo de US$ 102 para US$ 101 por barril de gasolina WTI (West Texas Intermediate).

Desta forma, a estatal deve perder “apenas” R$ 0,22 a cada litro de gasolina importado revendido no Brasil. Levando em consideração que a diferença já chegou a R$ 0,31 em fevereiro deste ano, a companhia deve reduzir seus prejuízos em tais operações em quase 30% em maio. A tabela abaixo explica:

tabela petrobras

Fonte: GO Associados

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Outra melhora no déficit da petroleira deve ser visto nas vendas de óleo diesel. Para Silveira e Giovanna, o prejuízo da Petrobras a cada litro de diesel importado revendido no Brasil deve ser de R$ 0,06, contra R$ 0,12 no mês passado. Assim como no caso da gasolina, o real valorizado e a queda nos preços dos combustíveis figuram entre os principais fatores que contribuem para a mudança.

Demanda aumenta, prejuízo também
Apesar da pequena melhora, a estatal tem pouco a comemorar. A política de congelamento dos preços implementado pelo governo da presidente Dilma Rousseff tem custado caro aos cofres da Petrobras, que se vê cada vez mais endividada. Por diversas vezes, a presidente da companhia, Graça Foster, pediu por novos reajustes nos preços dos combustíveis em uma nítida insatisfação com as aparentes manobras políticas tomadas via companhias estatais.

Essa situação coloca a Petrobras em um dilema difícil de ser resolvido: se a demanda interna por combustível aumenta – o que seria benéfico para qualquer empresa que vende o produto -, a estatal precisa importar a matéria para atender esses consumidores, o que acaba aumentando ainda mais seu prejuízo operacional – em outras palavras: quanto maior a demanda, maior será o prejuízo.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.