Com split e saída do MSCI, a HRT finalmente virou uma ação para o varejo?

Segundo analistas, ainda é cedo para afirmar que a empresa migrou das mãos do investidor qualificado para o varejo

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SÃO PAULO – Após desdobrar na razão de 1 para 50 e de ter saído do índice MSCI Emergent Markets, ainda é cedo para afirmar se as ações da HRT Petróleo (HRTP3) estão migrando dos investidores qualificados e institucionais para o investidor de varejo. A companhia nasceu restrita a poucos investidores, já que o preço por ação fixado no IPO (Initial Public Offering) era de R$ 805,00, mas por conta dos resultados ruins apresentados, muitas dúvidas têm sido levantadas em relação ao seu futuro.

A válvula de escape para esses aplicadores pode ter sido aberta, mas é difícil afirmar se os papéis caíram nas graças dos investidores de varejo, afirmam os analistas da equipe da XP Investimentos. 

A companhia não conseguiu cumprir algumas questões do IPO, o que aumentou o risco do investimento. O mercado esperava que fosse encontrado petróleo e gás na Bacia de Solimões, mas até agora foi descoberto somente gás. Mesmo com essa descoberta, ainda precisa ser considerada a complexidade da logística que envolve para retirar o gás dessa região, comenta o analista Lucas Brendler, da Geração Futuro. 

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O reservatório pode ser grande no Amazonas, com perspectivas boas para o gás, mas a empresa precisa construir toda uma estrutura para poder monetizar isso, o que deve deixá-la um pouco apertada durante um bom tempo, avalia a XP.

Risco elevado no investimento
A corretora não demonstra segurança para investir nos papéis da empresa. “Ela é uma empresa que ou você ama, ou realmente não investe”, comenta. A HRT ainda precisa de uma estrutura de caixa mais robusta, e agora com a saída da companhia do MSCI, deve haver um menor fluxo dos investidores institucionais, já que muitos fundos estão se desfazendo dos papéis em suas carteiras, abrindo um cenário bastante negativo para HRTP3 no curto prazo, ressalta a XP.

Com todas essas questões em mente, o retorno mínimo esperado pelos investidores para o papel passa a ser cada vez maior, já que não se sabe ainda qual é o potencial dos poços no Amazonas e como isso pode ser transformado em dinheiro. Com isso, muitos investidores mais qualificados podem estar abdicando de seus papéis, reforça Bredler. 

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Desdobramento: de R$ 375 para R$ 7,75
O perfil da HRT, contudo, vem mudando desde maio, quando a empresa anunciou o desdobramento de suas ações na proporção de 1 para 50. Na época, a cotação dos ativos passou de R$ 375,00 para R$ 7,75, deixando aberta as chances para os investidores de varejo montarem posições na empresa.

Entretanto, o risco retorno dos papéis da empresa ainda é muito elevado, dado que ela não possui um histórico de exploração na Namíbia, outro ponto importante para consolidação do futuro da companhia. 

Mudança no controle?
Nos últimos dias, os papéis têm sofrido fortes oscilações, impactados também por questões sobre a reestruturação societária. O executivo Marcio Mello está cada dia mais enfraquecido na empresa, enquanto aumentam as especulações de que a companhia possa estar sendo alvo de uma oferta hostil para tomada do controle. 

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Isso só confirma que é uma ação que vira e mexe é afetada por rumores, disse o analista Erick Hood, da SLW, que não recomendo a compra do papel. O mercado, contudo, alimenta a possibilidade da oferta de compra, já que a empresa está, nas cotações atuais, muito “barata”. O valor de mercado da HRT é de R$ 1,377 bilhão, um pouco inferior aos recursos do caixa consolidado da companhia, que ao fim do segundo trimestre somavam R$ 1,43 bilhão. Somente neste ano, as ações já caíram 57,39%. Desde o IPO, a desvalorização já supera os 80%.