Com setor “dependendo” de Marina, UBS rebaixa CPFL e mantém pessimismo com elétricas

Banco prefere papéis defensivos no setor e diz que companhias elétricas seriam muito favorecidas com uma vitória da oposição nas eleições

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SÃO PAULO – Após alguns anos de dificuldade, analistas começam a indicar que uma não reeleição de Dilma Rousseff deve ser bem favorável para o setor de energia, seja com uma vitória de Aécio Neves ou Marina Silva. Mas se o futuro pode ser positivo, o atual momento do setor ainda é muito complicado e reflete tudo que estas empresas passaram nos últimos anos, com intervenção do governo e reajustes tarifários.

Em um relatório divulgado no início da semana, o UBS apontou que o setor de energia seria um dos mais favorecidos caso Marina Silva seja eleita presidente. Segundo o banco, a candidata defende um modelo de planejamento, com uma mudança da matriz enérgica brasileira, onde o CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) teria mais poder. Além disso, ela também defende a expansão do mercado livre, para tornar o modelo brasileiro mais próximo de como ocorre na Europa, o que seria muito positivo para as empresas do setor.

Enquanto isso, a matriz energética do Brasil iria mudar drasticamente, focando mais em energia renovável, com aumento do uso de energia solar, eólica, da biomassa e qualquer outra forma de energia limpa, em detrimento do uso da termoenergia. No geral, o UBS vê o mercado de energia renovável como o grande vencedor em caso de vitória de Marina Silva.

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Vale destacar, que assim como ocorre com as estatais, as companhias elétricas sofreram muito nos últimos anos com a política intervencionista do atual governo, e os atuais candidatos da oposição já mostraram sua disposição em mudar este ambiente. Caso seja comprovada essa mudança de política e regulação para o setor, as companhias elétricas seriam muito beneficiadas.

Cenário complicado pede cautela
Apesar de projeções positivas com uma vitória da oposição, o atual momento do setor elétrico não é nada positivo e as empresas seguem pressionadas na Bolsa, refletindo os últimos anos de intervenção e complicadas políticas de preços. Por isso, até que as eleições sejam decididas e mudanças políticas sejam feitas, as indicações do banco são de cautela, sem aumentar muito a exposição nos ativos do setor.

Das 7 ações que o UBS acompanha dentro do setor elétrico, 3 têm recomendação de compra, Transmissão Paulista (TRPL4), AES Tietê ON (GETI3) e Energias do Brasil (ENBR3), enquanto outras 3 têm recomendação neutra – AES Tietê PN (GETI4), Copel (CPLE6) e Light (LIGT3) -, e agora o banco acaba de rebaixar sua primeira ação do setor para venda, a CPFL (CPFE3).

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Com exceção desta última, o UBS não prestou maiores explicações para cada uma de suas recomendações, mas deixou claro que, baseado no atual cenário e principalmente no preço das ações, suas preferencias são por papéis mais defensivos, com destaque para a Transmissão Paulista, única companhia do segmento de transmissão no universo de cobertura do banco.

O rebaixamento da CPFL se deve ao atual momento de baixa atividade econômica do País, aliado ao quarto ciclo de revisão tarifária, que devem pressionar a companhia. Além disso, os riscos hidrológicos devem comprimir as margens no curto prazo. Mesmo que o UBS tenha elevado em R$ 0,50 o preço-alvo dos papéis da CPFL, agora em R$ 20,00, o potencial ainda é de downside para as ações, atualmente cotadas em R$ 22,15.

Segundo os analistas, o que poderia ajudar ajudar a empresa seria uma política relacionada à fusões e aquisições por parte da companhia, ou uma mudança no cenário macroeconômico, com crescimento da demanda e redução no preço de energia. Para a equipe do UBS, uma política voltada para energias renováveis seria positiva, mas apenas no longo prazo, o que poderia levar os papéis da companhia para R$ 26,00.

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Distribuidoras em risco e geradoras “ganhando”
Neste momento, os maiores problemas estão para as empresas com maior negócio no segmento de distribuição – lembrando que muitas companhias atuam em mais de um segmento -, como a CPFL Energia e a Light. Empresas distribuidoras são as maiores prejudicadas em um cenário de alto preço de energia de curto prazo, já que com a escassez de chuvas elas precisam recorrer ao mercado de curto prazo para suprir o montante de energia que elas não possuem, aumentando seus gastos.

Por outro lado, as geradoras são as que ganham no cenário de alto preço de energia -principalmente as que operam também com energia térmica -, já que elas conseguem “fortalecer” seu caixa ao vender energia por preços altos. Lembrando que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) é quem regula esses valores. Neste cenário Cesp, Copel e Cemig são normalmente beneficiadas.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.