Com risco financeiro “significativo”, S&P corta perspectiva de nota da Usiminas

Anúncio da agência veio momentos antes da empresa anunciar prejuízo trimestral; CSN também teve perspectiva alterada para negativa

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SÃO PAULO – A Standard & Poor’s cortou a perspectiva de crédito da Usiminas (USIM3, USIM5) para negativa na noite de quinta-feira (25). As notas de crédito, em BB+ na escala global e em AA+ em escala nacional, foram mantidas.

Mas a mudança na perspectiva reflete a possibilidade da agência de classificação de risco em rebaixar os ratings da empresa se ela mantiver os altos níveis de alavancagem, que são resultados de um lucro operacional impactado por uma fraca demanda de aços planos no Brasil.

Nesta manhã, a siderúrgica anunciou seus números para o primeiro trimestre do ano, com um endividamento líquido 6% maior que aquele visto no fim do ano passado, isso é, de R$ 3,61 bilhões. Por outro lado, o Ebitda ajustado (Lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) foi de R$ 313 milhões, acima dos R$ 226 milhões vistos no fim do ano passado. A empresa encerrou os primeiros três meses do ano com um prejuízo líquido de R$ 123 milhões.

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A S&P classifica o perfil de risco financeiro da siderúrgica como “significativo”, apesar da liquidez ser apontada como “adequada”. “Dadas as métricas de crédito fracas da Usiminas para a categoria de rating, é crucial que a companhia mantenha reservas de caixa elevadas a fim de preservar seus índices de dívida líquida em patamares administráveis.”

Por outro lado, eles elogiam algumas medidas da empresa. “Em nosso cenário de caso-base, assumimos que a Usiminas implementou medidas para reduzir custos e que os custos da matéria-prima declinarão, especialmente os preços do carvão importado e de energia mais baratos no Brasil.”

Entre essas medidas, eles destacam a redução dos investimentos da Usiminas para R$ 1,6 bilhão e a melhora do capital de giro, o que levou a um fluxo de caixa operacional positivo em 2012, de R$ 1,8 bilhão. Essa foi a primeira vez que isso aconteceu em três anos.

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Mas o cenário-base da agência de classificação de risco carrega riscos consideráveis, alerta a S&P. Um corte no rating provavelmente acontecerá se ela não conseguir melhorar a rentabilidade operacional e se a relação dívida líquida ajustada/Ebitda ficar consistentemente acima de quatro vezes.

Negociação com a ThyssenKrupp pode afetar CSN
A agência também alterou na última noite para negativa sua perspectiva sobre as notas da CSN (CSNA3), que são BBB- em escala global e AAA em escala nacional. “A revisão de perspectiva para negativa reflete a possibilidade de que poderemos rebaixar os ratings se a CSN mantiver seu atual endividamento elevado frente ao cenário de fraca demanda por aço no mercado global e a redução em seu volume de minério de ferro, conforme se observou em 2012”, explica a S&P.

Assim como a Usiminas, a nota da CSN corre risco se o índice de dívida líquida/Ebitda ficar acima de 4 vezes até o fim do ano. Eles também alertam que podem cortar a nota da empresa se a liquidez se comprimir, o que pode acontecer depois de grandes fusões e aquisições ou aumento de capex (investimento em bens de capital).

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No entanto, a S&P elogia a CSN em alguns pontos quando comparada a seus pares, como uma produção de aço integrada, que resulta em rentabilidades mais fortes, e autossuficiência na produção de minério de ferro. Mas a agência cita que a indústria como um todo tem enfrentado desafios com o excesso de capacidade e preços baixos, e não há perspectiva de recuperação significativa no curto prazo.

Recentemente, a siderúrgica tem negociado a compra da ThyssenKrupp das Américas. Segundo reportagem da Bloomberg da véspera, a CSN pretende fazer no próximo mês uma oferta de US$ 3 billhões pelas usinas nos EUA e no Rio de Janeiro, mesmo sem o apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).