Com queda de 99%, pior imobiliária da Bolsa fará grupamento de ações de 100 para 1

O cenário do setor imobiliário tem sido bastante complicado nos últimos anos e a Viver foi a que teve o pior desempenho: passando de R$ 19,00 em 2007 para atuais R$ 0,02

Publicidade

ÃO PAULO – A Viver Incorporadora e Construtora (VIVR3) anunciou nesta quinta-feira (7) uma proposta de grupamento de ações na proporção de 100 para 1. Isso porque a BM&FBovespa criou uma nova regra no ano passado para que nenhum papel seja negociado abaixo de R$ 1,00 por mais de 30 pregões seguidos, e, para se ter uma ideia, os ativos VIVR3 não ficam acima de R$ 0,20 desde 2014.

O cenário do setor imobiliário tem sido bastante complicado nos últimos anos, mas a Viver foi a que mostrou o pior desempenho caindo de seus R$ 19,00 negociados em 2007 para atuais R$ 0,05 – ou R$ 0,02 na mínima atingida nos últimos dias -, ou seja, uma queda de 99%.

Atualmente, a companhia possui 341.419.308 ações ordinárias, com um capital social de R$ 1.297.442.718,25. De acordo com a proposta, a ideia é reduzir o risco de volatilidade excessiva das ações, além de cumprir o regulamento da Bovespa sobre as “penny stocks”. A Viver explica ainda que recebeu comunicado da Bolsa alertando que entre 18 de agosto e 29 de setembro de 2015 os papéis foram negociados abaixo de R$ 1,00.

Continua depois da publicidade

Caso seja aprovada a proposta do grupamento das ações em Assembleia Geral, as ações da Companhia passarão a ser negociadas grupadas no primeiro pregão subsequente à data da referida assembleia.

A “cilada” do grupamento
Em uma resposta à “ameaça” da BM&FBovespa de banir ações que valem menos de R$ 1,00 na Bolsa de Valores, muitas “penny stocks” têm anunciado grupamentos de ações, com o intuito de aumentar o valor de face de cada papel através da diminuição da quantidade de ativos negociados na Bovespa. A operação, em um primeiro momento, é vista como positiva no sentido de trazer maior liquidez para ativos que eram negociados próximos de R$ 0,01. Mas o que temos visto na prática é que os grupamentos têm aberto espaço para que aquelas ações que não tinham mais como cair simplesmente… voltassem a cair.

Para explicar isso melhor é só pensar em como funciona um grupamento. O preço da ação nestas situações não foi elevado porque mais pessoas decidiram comprar e ela se valorizou; o que ocorre, na verdade, é que o número de papéis disponíveis no mercado diminuiu.

Segundo analistas, não é regra que uma ação vai cair depois do grupamento, mas com o aumento da liquidez decorrente das cotações terem saído dos centavos e a abertura de espaço para cair, o investidor que já estava pessimista ou o acionista que quer se livrar da ação ganham uma oportunidade de vender seus ativos.

Especiais InfoMoney:

Carteira InfoMoney rende 17% no 1º trimestre; 5 novos papéis entraram no portfólio de abril

Continua depois da publicidade

André Moraes diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.