Com patrimônio líquido desaparecendo, é hora de sair de B2W, diz HSBC

Banco mantém recomendação underperform para ações e afirma que a empresa deve ter receita fraca e a erosão da margem

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SÃO PAULO  – Com o valor do patrimônio líquido desaparecendo, o HSBC avalia que é o momento de sair das ações da B2W Varejo (BTOW3). Desta forma, a instituição mantém a classificação underweight (abaixo da média do mercado) para as ações da companhia, estimando um preço-alvo de R$ 4,00, valor 47,36% abaixo da cotação de fechamento da última sexta-feira (24), de R$ 7,71.

Para os analistas Francisco Chevez e Manisha Chaudhry, com a deterioração da posição competitiva da B2W, provavelmente deve continuar o fraco crescimento da receita e a erosão da margem. Além disso, a cobertura dos juros deve permanecer negativa no futuro próximo, levando ao consumo de caixa.

Segundo eles, os resultados da companhia no segundo trimestre, apesar de mostrar ligeira alta na receita frente ao que foi registrado no mesmo período de 2011, a margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) despencou 431 pontos-base, pressionada pela concorrência mais acirrada no segmento de comércio eletrônico. “Portanto, a B2W provavelmente sacrificará margem adicional e capital de giro a fim de aumentar a receita, a nosso ver, levando a uma possível queda da posição de caixa ao longo do tempo”, afirmam os analistas.

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Sobre o plano de investimentos de R$ 1 bilhão para os próximos três anos, a equipe de análise explica que o financiamento virá em parte de dívida adicional de R$ 430 milhões junto ao BNDES (Banco nacional de Desenvolvimento Social), com possível necessidade de aumento na dívida no futuro.

Contudo, crescem as exigências de despesas com juros, ao passo que a erosão verificada na margem retarda os resultados operacionais. Com isso, na visão dos analistas, o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) da B2W não está cobrindo suas despesas com juros, as quais podem atingir níveis cada vez maiores e não gerenciáveis.

Da mesma maneira, a B2W exigirá capital de giro a fim de aumentar a receita, o que implica esgotamento do caixa e patrimônio líquido em queda, dado o enfraquecimento das margens. Vale mencionar que a B2W precisou contrair empréstimo de R$ 300 milhões no segundo trimestre para reforçar o capital de giro.

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Mudanças nas estimativas
Diante desse cenário, Chevez e Chaudhry revisaram suas estimativas para a varejista, as quais ficaram abaixo do consenso “excessivamente otimista”. Com as mudanças, o LPA (Lucro por Ação) para 2012 e e 2013 ficaram negativos, recuando para (R$0,84) e (R$0,75), respectivamente, em relação aos (R$0,29) e (R$0,25) anteriores.

“Acreditamos que o LPA do consenso para 2012 (R$0,29) seja excessivamente otimista, implicando atingir R$0,81 no segundo semestre de 2012, o que é improvável, devido à erosão da margem e o aumento das despesas financeiras”, opinam os analistas.