Com novos proventos e aversão ao risco no mercado, ação da Cemig dispara

Papéis da companhia mineira chegaram a subir 6,45%, após anunciar que distribuirá R$ 3,3 bilhões em juros sobre capital próprio; outras elétricas também aparecem entre as maiores altas do Ibovespa

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*Atualizado às 11h55 (horário de Brasília)

SÃO PAULO – No último pregão antes do feriado de Natal, um clima de aversão ao risco pressiona o mercado acionário global. Nesse cenário, os papéis das companhias do setor elétrico – historicamente reconhecidas pelo seu perfil defensivo – aparecem entre as maiores altas do Ibovespa nesta sexta-feira (21), com destaque para os papéis da Cemig (CMIG4).

Às 11h55 (horário de Brasília), as ações preferenciais da estatal mineira registravam valorização de 4,45%, aos R$ 26,74, após terem chegado a subir 6,45% na sua máxima do dia (R$ 27,25). Os papéis ordinárias também registram um forte alta de 10,78%, aos R$ 25,70 – próximos da máxima de ganhos de 11,51%. No mesmo horário, o Ibovespa mostrava significativa queda de 1,49%, aos 60.365 pontos.

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Na véspera, o conselho de administração da empresa aprovou o pagamento de proventos no valor de R$ 3,3 bilhões. Além disso, a estatal informou que suspendeu investimentos na hidroelétrica São Simão por 120 dias. Segundo a empresa, a suspensão decorre das incertezas com a medida provisória 579, que trata da renovação antecipada e condicionada de concessões do setor elétrico que venceriam entre 2015 e 2017.

“Essa atitude pressiona o governo para que a empresa consiga uma medida mais favorável na usina”, disse o analista Henri Evrard, da Infinity Asset. Embora o governo esperasse que a Cemig pedisse a reabertura do prazo para apresentar o pedido para renovar antecipadamente as concessões de três de suas usinas, a companhia insiste que têm direito a uma prorrogação automática das concessões de São Simão, Jaguara e Miranda por mais 20 anos ao fim dos contratos, entre 2015 e 2017. 

Diante dessa expectativa, as ações da companhia ganham um potencial latente caso ela vença essa batalha com o Estado, avalia Evrard. “Não é bom ela parar de investir, mas mostra que a companhia se mostra firme na questão de São Simão e isso pode se reverter positivamente para ela”, complementa. 

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Na esteira da Cemig, outras elétricas avançam
Outros papéis do setor também aparecem entre os maiores ganhos do índice, sustentando leve alta em um dia de forte queda. É o caso da Cesp (CESP6), que mostram alta de 0,72%, e Eletropaulo (ELPL4), que avançam 0,59%. 

A Eletropaulo também comunicou ao mercado a aprovação do pagamento de juros sobre o capital próprio, no valor de R$ 54,3 milhões.

Segundo o analista, o anúncio de distribuição de dividendos transparece um bom cenário para o mercado, principalmente no caso da Cemig, que divulgou um valor de proventos bem robusto. No caso da Cemig, a companhia pagará R$ 1,99 por ação, o que corresponde a 7,7% do preço do papel em relação ao fechamento da última quinta-feira (20), enquanto a Eletropaulo pagará R$ 0,33 por ação preferencial, o que representa 2,4% do preço do ativo utilizando a mesma base de comparação.

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Entenda o que aconteceu com o setor nos últimos meses
O mercado ainda está tentando precificar os efeitos da Medida Provisória 579, que com o pretensão de garantir a redução dos custo da energia, conforme prometido pela presidente Dilma Rousseff, deve impactar negativamente no Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) para as companhias do setor nos próximos anos.

Para amenizar os efeitos de uma medida que passou do campo técnico para uma briga política entre estados – os estados que não aceitaram as medidas são governados por políticos que não são do PT (Partido dos Trabalhadores) de Dilma -, as companhias impactadas pela MP vão correr atrás da redução de custos para se adaptar à nova realidade de receitas e tarifas para o setor. 

Ainda que esperado uma melhora no cenário por meio da redução de custos e aquisição de ativos, empresas menos afetadas pelo processo de renovação de concessões são apontadas como alternativas dentre as empresas do setor por ainda garantirem a previsibilidade de seus resultados.

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Os analistas Rafael Dias, do BB Investimentos, e Luis Gustavo Pereira, analista da Futura investimentos, apontam a CPFL Energia (CPFE3), Tractebel (TBLE3), Taesa (TAEE11), Equatorial Energia (EQTL3) e Coelce (COCE5) como alternativas dentre as menos impactadas pelo processo.