Com menores incertezas sobre elétricas, Ágora eleva recomendação para Cesp

Analista da corretora eleva indicação de venda para manutenção dos ativos da companhia considerando os desdobramentos das renovações de concessão de energia

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SÃO PAULO – Enxergando uma queda significativa nos níveis de incerteza envolvendo o setor elétrico, a Ágora Corretora elevou suas projeções para a Cesp (CESP6) e elevou a recomendação dada às ações da companhia elétrica paulista de venda para manutenção.

Os desdobramentos das renovações das concessões de energia e a recente alta do preço de energia no mercado spot justificam essa melhor percepção, afirma José Cataldo, analista da corretora. Em relatório, ele explica que estima que a empresa tenha em média 400 MW (megawatts) de energia descontratada e esta capacida deve ser, parcialmente, vendida no mercado à vista. “Tal venda deve beneficiar-se da alta nos preços da energia no mercado spot, tendo em vista o fato que os níveis dos reservatórios estão baixos e o uso da energia térmica se tornou necessário”, diz o analista.

Para Cataldo, as incertezas sobre o setor elétrico como um todo diminuíram com a aprovação da Medida Provisória 579 e a assinatura dos novos contratos de concessão. “Diante desse quadro, passamos a nossa recomendação de venda para manutenção em relação aos ativos, com preço alvo de R$ 23,63 por ação”, comenta em relatório.

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A revisão também estima os dividendos à serem distribuídos pela companhia. Para o analista, é esperado pagamento de R$ 2,35 por ação – dividend yeld em cerca de 12% da cotação atual de seus ativos.

Não renovação de concessões
Cataldo ressalta que a empresa mostrou compromisso com seus acionistas ao não renovar as concessões de geração de três usinas (Três Irmãos, Ilha Solteira e Jupiá), uma vez que as novas condições apresentadas pelo governo não são atraentes, já que a Cesp receberia receitas mais baixas para operar por mais 30 anos. “Além disso, houve novos riscos em relação aos contratos de concessão, que envolviam responsabilidades ambientais ou a necessidade de investimentos adicionais, que não estava incluídos nas receitas propostas pelo governo”, comenta o analista.

A Usina Três Irmãos, deve representar uma baixa de R$ 1,78 bilhão no balanço da empresa – o ativo tem valor estimado em R$ 3,52 bilhões mas a companhia receberá R$ 1,73 bilhão de indenização do governo. Já as Usinas Ilha Solteira e Jupiá somam R$ 3,61 bilhões no balanço da Cesp, com indenizações de R$ 22 milhões.

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Com as três usinas, o valor a ser ajustado no balanço da empresa deve chegar a R$ 5,37 bilhões, montante que pode ser reduzido a R$ 1,02 bilhão – a companhia possui R$ 1,6 bilhão em crédito de reserva de reavaliação, R$ 823 milhões em impostos diferidos e acumula reservas de capital de R$ 1,93 bilhão. A Cesp afirmou que deve tomar medidas legais para tentar ampliar o valor da indenização à ser recebida, alegando que alguns investimentos em manutenção foram ignorados no cálculo feito pelo governo.