Com história “esgotada”, Santander corta recomendação para ação da Gerdau

Preço-alvo dos papéis também foi reduzido, de R$ 21 para R$ 19; bastante descrentes, analistas destacam ausência de catalisadores de curto prazo

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SÃO PAULO – O Santander reduziu a recomendação das ações da Gerdau (GGBR4), de compra para abaixo do mercado, acreditando que o principal catalisador de curto prazo provavelmente não se concretizará. O preço-alvo dos papéis também caiu de R$ 21,00 para R$ 19,00 – o que representa um novo potencial de valorização de 6,20% em relação ao fechamento da última segunda-feira (29).

Os analistas Felipe Reis e Alex Sciacio, que assinam o relatório da corretora do banco, mostram-se “bastante descrentes” quanto à Gerdau conseguir vender uma participação nas minas de minério de ferro, considerando: a deterioração nos preços da commodity no mercado à vista, preocupações quanto ao crescimento econômico da China e a perspectiva mais conservadora de possíveis novas empresas entrarem no segmento de minério de ferro. 

“A história da Gerdau está esgotada, ou seja, vemos compradores marginais com interesse limitado na ação”, disseram. Apesar da expectativa da demanda por aços longos continue em expansão no mercado nacional, os analistas apontam que o Brasil sozinho não consegue suportar o crescimento da empresa entre os meses de julho e setembro.

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Por isso, eles estimam que o balanço do terceiro trimestre, que será divulgado no dia 1° de novembro, deve ser decepcionante, ficando em linha com o trimestre anterior. Esse período, contudo, normalmente costuma ser o mais forte para a empresa em termos sazonais. Segundo eles, a divisão Brasil deve ser o único ponto alto, mas os resultados não serão fortes o suficiente para compensar o pior desempenho operacional na comparação sequencial verificado nas divisões América do Norte, América Latina e Aços Especiais. Eles apontam que também preocupa cada vez mais o consenso de mercado ainda elevado para Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) em 2012 e 2013.

Corte na expectativa do Ebitda e LPA para 2012 e 2013
Em meio a esse cenário, os analistas reduziram suas estimativas para o Ebitda, em 22,7% e 27,5% nesse e no próximo ano, indo de R$ 6,138 bilhões para R$ 4,742 bilhões e R$ 7,792 bilhões para R$ 5,651 bilhões, respectivamente. No mesmo sentido, também foi cortada a estimativa para LPA (Lucro Por Ação), que foi de R$ 1,58 para R$ 1,56 em 2012 e R$ 2,44 para R$ 2,04 em 2013. 

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Os principais motivos para essa revisão foram a redução no volume de vendas a partir de 2013 e os custos acima do esperado. No caso do volume de vendas, eles passaram a adotar uma postura mais cautelosa quanto à expansão da demanda por aços longos no mercado interno, considerando a queda da atividade de construção civil habitacional, com a contínua letargia no ritmo de investimentos em infraestrutura.

Além disso, os analistas também reduziram a projeção de crescimento do volume de vendas para a Gerdau América do Norte e as operações de Aços Especiais, em vista da deterioração na perspectiva econômica em suas respectivas regiões, incluindo Europa. 

Os analistas apontam, contudo, que a construção civil tem sido o principal pilar da expansão da demanda por aços longos no País nos últimos anos mas a demanda por aços longos no Brasil deve registrar nesse período o ritmo mais lento dos últimos cinco anos, embora continue a mostrar expansão. “Esperamos uma taxa média de crescimento composto de aproximadamente 5% para 2013 a 2018, ante projeção de 7,5% de 2007 a 2012”, avaliam Reis e Sciacio.

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Desde o início do “boom” na construção civil habitacional, marcado pela capitalização das empresas imobiliárias por meio de uma forte temporada de IPOs (Initial Public Offering) no setor, a demanda teve uma expansão equivalente, reforçam. Vale lembrar que, historicamente, a construção civil representa cerca de 60% do volume das vendas da Gerdau no Brasil.