Analistas comemoram

Com Éxito, receita do GPA passa de R$ 70 bi no ano; marketplace será lançado em 2020

Nos 12 meses até setembro, a receita do GPA no Brasil alcança R$ 53 bi; operações na Colômbia com o Grupo Êxito somam R$ 18 bi

Pão de açúcar supermercado loja varejo
(Divulgação)
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SÃO PAULO – A consolidação da incorporação da colombiana Almacenes Éxito pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA) traz resultados positivos em todas as frentes: geração de caixa, Ebitda e lucro líquido, garantiu o presidente da companhia, Peter Estermann, a jornalistas nesta quarta-feira (11). Segundo ele, com as operações somadas, a empresa já tem faturamento combinado próximo de R$ 71 bilhões considerando os 12 meses até setembro de 2019.

Ao todo, o grupo agora tem 150 mil funcionários na América do Sul e mais de 1500 lojas. “Todos os aspectos de governança estão em fase de ajustes finais”, segundo o executivo, e uma reunião do conselho deve ocorrer até o final de janeiro para oficializa-los.

Quem deve comemorar esses dados são analistas do setor, que viam a aquisição da líder do varejo alimentar colombiano como uma possibilidade de aceleração do indicador de receita sobre ação (EPS) da companhia, além de comemorar a expansão para outros países da região e a mudança para o Novo Mercado da B3. A ação do GPA ([=ativoPCAR4]) é, justamente por isso, uma das favoritas para dezembro, com recomendações de cinco casas de análise, segundo levantamento do InfoMoney com 13 representantes.

Expansão

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Na expectativa de evolução no PIB e queda da taxa de desemprego para 11% no Brasil, o GPA planeja expansão considerável para o ano que vem.

O atacarejo, ou “cash and carry”, representa 52% do faturamento da companhia hoje e tem margem Ebitda média de 6%. A expectativa é que a receita dessa categoria chegue a R$ 30 bilhões em 2019 e R$ 50 bilhões daqui a três anos, sem elevar a participação do segmento no valor total (ou seja, expandindo também as outras verticais, que costumam ter margens melhores).

Estermann fala em 50 novas lojas da bandeira Minuto Pão de Açúcar (do segmento chamado de lojas de proximidade, mais compactas), dez inaugurações na bandeira Pão de Açúcar (sendo três ou quatro conversões de Supermercado Extra e seis ou sete novas), 50 conversões de Supermercado Extra para Mercado Extra e 20 inaugurações de Assaí, incluindo uma na Colômbia.

As conversões são importantes, segundo os diretores da empresa, porque levam em conta um amplo estudo do perfil do cliente de cada região e, com melhor adequação de perfil, melhoram as margens de unidades já existentes.

Isso também vale para a transformação das lojas Pão de Açúcar ao modelo chamado pelo grupo de Geração 7, mais tecnológicas e totalmente integradas ao SuperApp James e à marca de alimentos saudáveis Cheftime, adquirida neste ano. Segundo Estermann, as lojas convertidas a esse modelo crescem dois dígitos e vão ajudar o Pão a fechar com crescimento este ano após muitos balanços desanimadores no segmento. Hoje já são 46 lojas G7 e outras 17 serão convertidas no primeiro trimestre de 2020.

Em atendimento ao cliente, o grupo foca em diminuir as filas em lojas, o que, segundo Jorge Faiçal, diretor de estratégia digital, é a maior reclamação dos clientes. Para tanto, estão em fase de testes tecnologias como self check out (pagar sem ajuda de atendente), pré scan (quando um funcionário escaneia as compras ainda na fila), Scan & Go (o próprio cliente escaneia os produtos e paga pelo app), PDV móvel (cobrança em qualquer lugar da loja) e shop & go (deixar as compras no carrinho e tê-las entregues em casa).

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Para além das lojas físicas, o grupo pretende dobrar as vendas online no ano que vem, incluindo a inauguração de um marketplace próprio, que, a princípio, focará no ramo alimentício (como vem sendo a estratégia da empresa desde a conclusão da venda da Via Varejo para a família Klein) sem vender produtos de concorrentes. A operação de venda online do GPA, excluindo o James, tem 73% de market share do segmento, patamar que pretende manter, e cresceu 40% no ano até novembro, atingindo faturamento de R$ 500 milhões.

Ainda nessa linha, a companhia pretende melhorar a logística com expansão do “shipping from store” (entregas de compras online a partir das lojas físicas, e não do CD) e do e-store (modelo de distribuição via loja que conta com estoque segregado) para todas as regiões do país no ano que vem. Ambos os formatos são mais baratos e mais rápidos que a entrega a partir de centros de distribuição.

Com tudo isso, a companhia diz que seu plano não prevê compressão de resultados financeiros. A expectativa é de manter o investimento (Capex) em torno de R$ 1,8 bilhão na operação brasileira e alcançar avanço igual à inflação nas vendas em mesmas lojas (SSS) do Assaí e acima disso no Multivarejo (que compreende as outras bandeiras). Isso trabalhando com um cenário de inflação entre 4,3% e 4,5% no ano.

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