Com dúvida sobre concessão, Citi classifica Cesp como ação de alto risco

Analistas esperam ainda por fracos resultados no 2º trimestre, com o real mais enfraquecido afetando o lucro da companhia

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SÃO PAULO –  Com as discussões sobre os termos e condições para a definição do processo de renovações das concessões de energia como o principal driver para as ações, a Citi Corretora reforça a classificação de risco alto para as ações da Cesp (CESP6), estimando para os ativos um preço-alvo de R$ 49,90 – valor que representa um upside de 28,57% se comparado ao fechamento desta quarta-feira (8). 

Os analistas Marcelo Britto, Alexandre Kogake e Kaique Vasconcellos destacam que o fluxo de notícias sobre as renovações está ganhando fôlego devido às expectativas de que uma proposta surja no curto prazo. Apesar disso, um adiamento da decisão ainda não pode ser descartado.

“As incertezas na arena política, e aparentemente na área legal, reforçam a nossa classificação de risco alto, uma vez que a base de nosso valuation é a remuneração justa dos custos de substituição dos ativos da Cesp”, destacam os analistas. Para eles, qualquer desdobramento em torno das renovações pode resultar em fortes oscilações de preço.

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“No curto e no médio prazo, o processo de desalavancagem e o diferimento dos dividendos aliviam o risco, mas não compensam a ameaça de termos ruins na renovação”, completam.

Expectativa de fracos resultados
Em relação aos números do segundo trimestre a serem revelados pela companhia na próxima sexta-feira (10), a expectativa dos analistas é de que venham fracos influenciados pelo câmbio. Isso porque o real mais fraco deve afetar o lucro de forma negativa devido à dívida em moeda estrangeira, que representa 35% do total.

Desta forma, a projeção da equipe de análise é de que a companhia divulgue um lucro líquido de R$ 52 milhões, enquanto a receita líquida deve aumentar em 19,5% na comparação ano a ano, devido aos preços mais elevados no mercado livre e à atividade maior no mercado à vista, levando a um aumento de 22,1% do Ebitda (geração operacional de caixa) na comparação ano a ano.

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Notícias sobre o processo de renovação
Entre as notícias envolvendo o processo de renovação das concessões, Britto, Kogake e Vasconcellos destacam que em um painel organizado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com a presença de ex-ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a ex-ministra Ellen Gracie afirmou que acredita que as renovações não podem ser feitas por meio de medidas provisórias, como previsto no artigo 246 da Constituição, e disse que o STF já decidiu sobre isso em dois processos legais de ação direta de inconstitucionalidade.

O ex-ministro Nelson Jobim, por sua vez, mostrou um viés mais político e afirmou que o período original de transição de 20 anos garantido pela Lei 9.074 deve ser observado, e que o marco legal exige que sejam feitos leilões.

Além disso, em conferências sobre o setor de utilities realizado pelo Citi em 2010 e em 2011, o ex-presidente da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Mario Abdo e o reconhecido conselheiro legal David Waltenberg, destacaram que legalmente uma emenda constitucional ofereceria maior conforto, considerando a multiplicidade de interesses e o número de atores envolvidos com esse tema.