Com demanda maior e ação descontada, HSBC eleva recomendação de Braskem

Para analistas, apesar de alta dos papéis, fundamentos da companhia estão sólidos e ativos estão descontados em relação aos seus pares
(Divulgação/Braskem)
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SÃO PAULO – Em função da melhoria da demanda das margens domésticas e da rentabilidade, o HSBC elevou a recomendação para as ações da Braskem (BRKM5) de neutra para overweight (desempenho acima da média do mercado). Além da recomendação, o banco também elevou o preço-alvo da petroquímica de R$ 14,25 para R$ 21,00, ajuste de 47,37% e que configura um potencial teórico de valorização de 50,54% em relação ao fechamento da última sexta-feira (24).

Segundo os analistas do banco, Geoff Haire, Sriharsha Pappu, Omprakash Vaswani e Sebastian Satz, a companhia deve se beneficiar dos recentes anúncios de medidas de estímulo econômico feitas pelo governo brasileiro, além dos projetos de infraestrutura relacionados aos próximos eventos esportivos mundiais. 

Além disso, as ações estão negociadas a um desconto significativo em relação aos seus pares dos mercados emergentes globais do setor químico, ressaltam os analistas. Desde o começo do ano, as ações da Braskem vêm registrando forte volatilidade, apresentando queda de 23% em termos absolutos em relação ao início de junho, mas depois apresentando certa recuperação.

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Entretanto, mesmo com a oscilação mensal positiva, de mais de 12%, a equipe de análise avalia que a compra é justificada por vários fatores. Dentre, eles estão a melhoria da demanda doméstica em um cenário de aceleração do crescimento econômico brasileiro – com alta do PIB estimada em 2,5% em 2012 e de 3,8% no próximo ano -, implicando uma expansão da demanda por resinas de aproximadamente 4% a 6% ao ano. Esse percentual pode apresentar elevação, ressaltam os analistas, considerando os recentes anúncios relacionados à infraestrutura.

Recuperação das margens
Além dos maiores investimentos em infraestrutura possibilitarem melhor desempenho para a Braskem, a companhia também deve se beneficiar da recuperação das margens dos produtos petroquímicos baseados em nafta, que vinham sofrendo pressão significativa.

Os spreads para os produtores de nafta, começaram a se elevar, aponta a equipe de análise, que veem esse movimento baseado nos preços do produto. “Considerando que atualmente as margens estão próximas ao nível mais baixo dos três últimos anos, nossa opinião é de que um potencial de baixa adicional é limitado”, afirmam os analistas.

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Entretanto, mesmo com a recuperação das margens da nafta, a Braskem também vem se beneficiando pela menor dependência da matéria-prima, que representava aproximadamente 80% de seu custo de mercadorias e que vem caindo desde 2010. Isso porque, avalia a equipe de análise, a administração vem diversificando seu portfólio de produtos por meio de aquisições.

De acordo com os analistas, esse distanciamento da nafta “é vital” para a Braskem, considerando a vantagem representada pelos custos petroquímicos nos EUA, em função do valor reduzido do gás de xisto, também usado na indústria petroquímica.

Outros pontos positivos estão a mudança de produtos, direcionando-a aos petroquímicos de maior valor, além de um forte fluxo de caixa. Com isso, os analistas destacam que a tese de investimento da companhia continua sólida, com fundamentos de longo prazo intactos, apesar de ter reportado um fraco resultado no segundo trimestre, quando reportou um prejuízo de R$ 1 bilhão. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.