Com cheque de Armínio Fraga, startup de recrutamento às cegas levanta R$ 4 mi

Além do ex-presidente do BC, rodada de investimentos contou com participação de Daniel Gleizer, que também foi executivo da instituição

Wesley Santana

Armínio Fraga e Daniel Gleizer foram dois nomes conhecidos que participaram do aporte. Foto: Pixabay
Armínio Fraga e Daniel Gleizer foram dois nomes conhecidos que participaram do aporte. Foto: Pixabay

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A startup de recrutamento às cegas Jobecam anunciou, nesta segunda-feira (27), uma rodada de investimento seed -voltado para empresas em estágio inicial- de R$ 4 milhões. O aporte contou com a participação de figuras importantes do mercado financeiro, como o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Em seu modelo de negócio, a Jobecam atua para tornar o processo seletivo menos discriminatório, com uma metodologia de currículo sem nome, foto ou idade.  A ideia é eliminar vieses inconscientes e fazer com que questões de gênero, raça, idade ou a presença de algum tipo de deficiência não interfiram no recrutamento.

A HRtech foi fundada em 2016, mas só conseguiu galgar espaço no mercado em 2021, quando passou a fornecer seus serviços para grandes companhias. Atualmente, 30 marcas nacionais e multinacionais -como Bradesco, Hospital Sírio Libanês e Novo Nordisk- usam essa metodologia para selecionar os próximos profissionais para compor as equipes.

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A reportagem do InfoMoney testou a plataforma para entender como é seu funcionamento. Durante uma entrevista, o nome do candidato foi trocado por o de uma cidade, a imagem por um avatar estático que pode ser alterado e, ainda, a voz foi desconfigurada por um software de inteligência artificial. A startup já intermediou entrevistas de mais de 300 mil candidatos e processou cerca de 1 milhão de vídeos.

“Apesar do processo ser chamado de ‘recrutamento anônimo’, o nosso objetivo é fazer com que os gestores avaliem as reais habilidades e competências do profissional. Ou seja, independente de quem está por trás da tela, o entrevistador vai focar no que a pessoa está falando”, pontua Cammila Yochabell, CEO e fundadora da Jobecam.

Cammila Yochabell agora é sócia de Armínio Fraga
Cammila Yochabell, CEO e fundadora da Jobecam. Foto: Paulo Liebert

Para o economista Armínio Fraga, que chefiou o Banco Central no governo FHC, a startup tem potencial de contribuir com a diversidade, inclusão e eficiência profissional, por isso apostou na tese. “Os pilares de atuação da Jobecam convergem com minha visão para construção de um país mais igualitário do ponto de vista socioeconômico. Para melhorar nossa realidade desafiadora, precisamos dar mais atenção às questões de raça, gênero e sexualidade”, disse.

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Já Daniel Gleizer, ex-diretor do BC, avalia que a HRtech contribui para a obtenção de mudanças expressivas, tanto para as empresas quanto para as pessoas candidatas. “Ao analisarmos o perfil dos talentos contratados a partir da adoção dos modelos de seleção utilizados pela Jobecam, verificamos um aumento significativo na participação de pessoas de grupos minoritários, como negros, pessoas de regiões periféricas, mulheres e PCD’s, por exemplo. Esse resultado é primordial para a construção de ambientes de trabalho mais diversos e inclusivos”, afirma.

Essa é a segunda rodada de investimentos da Jobecam, que já tinha captado R$ 2 milhões anteriormente. Com o novo cheque -acompanhado também pelos fundos People + Strategy, Harvard Angels do Brasil, BRQ Digital Solutions e Brazil Venture Capital-, a startup pretende repaginar alguns dos produtos e tornar a plataforma virtual de entrevistas mais eficiente, com a inclusão de avatares com movimentação, por exemplo.

“Vamos investir em pontos importantes para o mercado e, consequentemente, na valoração da marca”, ressalta Cammila. “Os investidores estão nos ajudando nessa construção para futuramente pensarmos em uma rodada série A”, antecipa.