Quem diria

Com alta de 47%, Petrobras torna-se a melhor ação do Ibovespa em 2015

Mesmo em meio a tantos desafios, saída de presidente e tensão com divulgação de balanços, ação ON da Petrobras conseguiu registrar alta de 47% e superar "queridinhas" do índice

(Bloomberg)
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SÃO PAULO – Nesta sessão, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) superaram a JBS (JBSS3) e figuraram hoje com o honroso título de melhor ação do ano de 2015. Os ativos fecharam esta quarta-feira acumulando alta de 47,55% no ano, apesar de tantos transtornos que a companhia enfrentou com a mudança de administração e com a Operação Lava Jato.

O ano não começou bem para a companhia, que ainda não tinha divulgado os seus números auditados referentes ao terceiro trimestre por não ter recebido o aval da auditora PriceWaterHouseCoopers em novembro.

Meses depois – e após muita expectativa – a Petrobras divulgou os números no final de janeiro, mais precisamente dia 28, sem os números auditados com relação à corrupção. Isso frustrou e muito os analistas de mercado, que viram a divulgação dos números como uma “peça de ficção”. 

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Porém, o que mais influenciou a presidente Dilma a avaliar que a presidente da estatal, Graça Foster, não poderia continuar na Petrobras foi uma divergência de R$ 88,6 bilhões no balanço da estatal. O número não foi integralizado no balanço da estatal, mas foi divulgado no release de resultados da Petrobras, o que irritou – e muito – Dilma.

Além disso, ganhou destaque a fala do então diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, no dia 29 de janeiro. Ele informou que havia possibilidade da Petrobras não pagar dividendos, o que fez com que as ações preferenciais da companhia – que pagavam o dobro de dividendos das ações ordinárias – registrassem expressiva baixa, maior do que as ON. 

As indicações de que a presidente não estava satisfeita com Graça só aumentaram no começo de fevereiro e muitos nomes foram cogitados para assumir o cargo: dentre eles, até mesmo o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, o que fez com as ações disparassem em meio à sinalização de que ele adotaria políticas mais pró-mercado, como reajuste de combustíveis e diminuição dos investimentos.

Só que, no começo de fevereiro, a escolha de Dilma para Aldemir Bendine decepcionou os mercados. Então presidente do Banco do Brasil (BBAS3), Bendine era considerado um fiel escudeiro do PT e acreditava-se que ele continuaria com práticas que são lesivas à estatal, como não aumentar os preços de combustíveis, além de deixar o plano de investimentos da Petrobras em números irreais quando relacionado à necessidade da companhia de diminuir a sua alavancagem. Porém, um alento: o Conselho da companhia ficaria com a “cara do mercado”, assim como a diretoria, que teria funcionários de carreira da empresa.

Bendine assumiu a estatal com diversos desafios. Um deles foi fazer com que os planos da companhia coubessem em seu orçamento, além da perspectiva para a divulgação do balanço auditado da empresa. Um dos obstáculos foi ultrapassado em 22 de abril de 2015, quando a Petrobras divulgou os números auditados em relação aos terceiro e quarto trimestres de 2014. E os números impressionaram: R$ 6,2 bilhões em perdas com corrupção na Petrobras e perda de R$ 44,63 bilhões por desvalorização de ativos (impairment). 

No mesmo dia, em entrevista coletiva, Bendine afirmou que a Petrobras não iria pagar dividendos por 2014, o que já havia sido sinalizado por Barbassa e divulgou a data de divulgação dos números do primeiro trimestre: 15 de maio. 

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O UBS salientou no final de abril que o não pagamento de dividendos era muito negativo para as ações preferenciais da Petrobras, mas positivo para as ordinárias. A expectativa da maior parte do mercado era de que pelo menos os proventos obrigatórios mínimos dos ativos preferenciais seriam distribuídos. As ações ordinárias possuem direito a voto, enquanto os papéis PN dão preferência quanto ao recebimento de dividendos. Sem dividendos, o prêmio que poderia ser interessante para que o investidor adquirisse os ativos PN deixa de existir. 

Porém, a analista Lillyana Yang, do UBS, destacou a preferência pelos ativos PN apesar de não pagar o dividendo mínimo minoritário, em meio à perspectiva para o pagamento de dividendo mais à frente. 

Em maio, foi divulgado então o balanço do primeiro trimestre de 2015, com a companhia revelando lucro de R$ 5,3 bilhões. A divulgação dos balanços auditados dos últimos três trimestres animaram o mercado, que viam então a possibilidade da empresa voltar ao mercado de captação. Aliás, no dia 1º de junho, a empresa divulgou a emissão de US$ 2,5 bilhões em títulos com vencimento em 2115, marcando o retorno da companhia para o mercado de capitais. 

Próximos passos
Agora, o grande catalisador passa a ser o plano de negócios da estatal, que deve mostrar corte nos investimentos da companhia. Hoje houve frustração, uma vez que o diretor da companhia afirmou que “seria muito difícil” a divulgação do plano ainda em junho – a expectativa era de que ele fosse divulgado no próximo dia 26.

O mercado também espera reajuste de combustíveis: em relatório, o Credit Suisse avaliou que a companhia deveria elevar os preços já no terceiro trimestre deste ano em meio à disparidade dos preços dos combustíveis internos com relação ao mercado externo. 

“Tendo em vista a significativa alta do preço do petróleo no mercado internacional nas últimas semanas, passamos a considerar um reajuste do preço da gasolina de 10% já no terceiro trimestre de 2015. Nosso cenário considerava um reajuste do preço da gasolina de 5% no quarto trimestre de 2015″, afirmou o Credit em relatório. 

Assim, as ações da Petrobras subiram muito e mostraram que a companhia “virou algumas páginas”. Contudo, novos desafios, como o plano de negócios e a política de reajuste de combustíveis devem ser observados com atenção pelo mercado.