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SÃO PAULO – Atualizando suas projeções no setor de mineração, o Deutsche Bank decidiu cortar o preço-alvo dos ADRs da Vale (VALE3; VALE5) em 20%, passando de US$ 10,00 para US$ 8,00. Mesmo com o corte, a projeção coloca um potencial de upside no ativo da companhia de 97% sobre os atuais US$ 4,05. Com isso, o banco manteve sua recomendação de compra para a Vale.
O corte no preço-alvo ocorre com a incorporação de uma revisão nos preços de commodities por parte do banco, que reduziu as estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) para o período de 2015 a 2017 em 19%, em média. Neste cenário, o corte no minério de ferro ficou entre 10% e 14% para 2016 e 2017. Apesar das alterações, a Vale fica como a menos impactada, já que a disparada do dólar ajuda os negócios da companhia e reduz os problemas de queda nos preços.
Segundo a equipe de analistas do Deutsche, os últimos dados na china mostram uma estabilização apenas provisória, o que coloca a expectativa de uma recuperação no segundo semestre como “uma ilusão”, abrindo espaço para uma melhora apenas no quarto trimestre. “A atual desaceleração na China é parte cíclica/parte estrutural, e o desafio é estimar em que proporção”, disseram em relatório.
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“Quanto mais tempo temos uma flexibilização na política monetária e fiscal, sem uma melhoria convincente nos demais indicadores industriais, mais a desaceleração é estrutural”, continuaram os analistas. Segundo eles, o crescimento da demanda chinesa deverá reduzir drasticamente ao longo dos próximos anos, sugerindo uma perspectiva desafiadora para as commodities.
Segundo o banco, um período de mais preços baixos do minério de ferro é provável, o que implica em uma necessidade de cortes de fornecimento. “Em nossa opinião, o níquel e o carvão são mercados que estão com maior pressão sobre as margens”, afirmam.
No relatório, os analistas destacam que as preocupações com custos e alienação de ativos da Vale poderiam diminuir a partir de 2016, mesmo com a pressão dos preços das commodities. Mesmo assim, na América Latina, o Deutsche vê o Grupo México e a Southern Copper com maior flexibilidade financeira do que a Vale.
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