Pandemia

Com 300 mil casos na última semana, 2ª onda de coronavírus pode levar Europa de volta ao lockdown

Com alta de infecções na França, Espanha, Alemanha e Reino Unido, continente europeu vive a mais delicada fase da epidemia desde meados de maio

Homem com roupa de proteção caminha na região de Veneza, Itália (Fotos Públicas)
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SÃO PAULO – O ritmo de transmissão do novo coronavírus na Europa está em níveis “alarmantes”, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), depois que muitos países do continente voltam a registrar mais casos diários do que em março e abril – os piores momentos da pandemia.

Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, divulgou na última quinta-feira (19) que o bloco está passando por um momento de alta de casos. Segundo os dados, o número de infeções diárias tem até dobrado em muitos países da UE.

De acordo com Kluge, 300 mil novas infecções foram registradas em toda a Europa somente na semana passada e os casos semanais excederam os relatados durante o primeiro pico em março.

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Depois de seis meses vivendo com o vírus e com várias idas e vindas sobre as medidas de distanciamento, muitos países europeus começam a endurecer suas restrições e avaliar novos confinamentos.

“Estamos diante de uma situação muito grave. Os novos casos semanais na Europa já superam os registrados durante o primeiro pico da pandemia. Na semana passada, foram contabilizados mais de 300 mil infectados”, alertou Kluge.

Ainda segundo o diretor, a mortalidade do vírus, que parece ser menor nessa segunda onda de infecções, deve aumentar entre outubro e novembro.

Casos diários duplicam

Nas últimas duas semanas, cerca de sete países europeus viram seus números de casos diários duplicar. O salto das infecções na França, que registrou mais de 10 mil casos na quinta-feira, foi o que mais chamou a atenção entre os aumentos em outras partes da Europa. Esse foi o maior número já registrado pelo país.

Os novos casos na Alemanha atingiriam 2 mil na sexta-feira, o maior aumento desde o final de abril.

Já Portugal registrou na quinta-feira 770 novas infecções, o maior número em cinco meses, enquanto os casos na Espanha subiram em ritmo mais lento do que no dia anterior, mas ainda em mais de 4,5 mil. República Tcheca e Ucrânia também bateram seus respectivos recordes de contágios detectados em um dia.

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Na última sexta-feira (18), Matt Hancock, secretário de Saúde do Reino Unido, não descartou uma segunda quarentena nacional e disse que a aceleração dos casos e internações hospitalares em todo o Reino Unido representam um momento crítico. O Reino Unido registrou mais de 4 mil infecções diárias, um patamar visto pela última vez no começo de maio.

O recente aumento dos casos nos países europeus e uma possível nova fase de confinamento no continente foi um dos temas do Radar InfoMoney de hoje.

Novo lockdown no continente?

Com os casos em alta, países já ensaiam a retomada de algumas medidas de distanciamento e restrição de deslocamento.

A Espanha, país europeu mais afetado pela Covid-19, decretou que, a partir desta segunda-feira (21), haverá restrições de deslocamento na capital, Madri, com algumas zonas da cidade interditadas.

Os moradores dessas zonas poderão sair de seus bairros apenas para tratar de “questões básicas”, como trabalhar, ir ao médico, ou levar os filhos à escola. Além disso, reuniões estarão limitadas a um máximo de seis pessoas. A Espanha tem mais de 640 mil casos confirmados de Covid-19 e cerca de 30 mil mortes.

Já a França, que viu seus casos baterem o recorde de 13 mil infecções em um só dia, proibiu reuniões com mais de 10 pessoas em espaços públicos na cidade de Nice, que possui uma incidência três vezes maior que a do resto do país e é a região francesa mais afetada pela pandemia nessa segunda onda.

O ministro da Saúde francês, Olivier Véran, reconheceu que o coronavírus “está novamente muito ativo” e disse que, além de Nice, a cidade de Lyon também deve ter medidas mais severas de distanciamento anunciadas “em breve”. Desde o início da pandemia, a França registrou cerca de 491 mil infecções, com cerca de 31 mil mortes.

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O primeiro ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que uma segunda onda de contágios de coronavírus é “inevitável”, mas disse que não quer decretar uma nova quarentena e que o país estuda “todas as possibilidades”.

No Reino Unido, o número de novos casos diários atingiu o nível mais alto desde meados de maio. A região também teve o maior índice de mortes da Europa por Covid-19, com mais de 41 mil óbitos registrados desde o início da pandemia.

Neil Ferguson, professor de epidemiologia do Imperial College, de Londres, e ex-conselheiro do governo, afirmou à BBC que o país enfrentará uma “tempestade perfeita” de infecções.

“Neste momento, estamos nos níveis de infecções que víamos neste país no final de fevereiro, e, se esperarmos mais duas ou quatro semanas, estaremos de volta aos níveis de meados de março, e isso irá – ou pode – causar mortes”, disse Ferguson. O Reino Unido registrou cerca de 396 mil infeções no país, com cerca de 41 mil mortes, desde o início da pandemia.

Diferentemente dos seus pares europeus, a Itália parece não enfrentar uma segunda onda tão severa, tanto que anunciou a volta de competições esportivas com torcida de até 1 mil pessoas no último domingo (20) e reabriu a maior parte de suas escolas na última segunda-feira (14).

Segundo especialistas, o sucesso italiano no combate a essa segunda onda de casos pode ser explicado pelo extenso rastreio que o país realiza para encontrar e conter os casos. Vale dizer que a Itália foi, junto com a Espanha, o país europeu mais afetado pela pandemia durante seus primeiro meses. Desde o início da pandemia, mais de 295 mil italianos foram infectados, com cerca de 35 mil óbitos.

De acordo com a OMS, houve 5 milhões de casos confirmados e mais de 228 mil mortes em toda a Europa desde o início da pandemia. Depois das Américas, a Europa é o continente mais afetado pelo coronavírus em números absolutos.

Jovens impulsionam pandemia

Segundo a OMS, esses novos surtos da Covid-19 no continente europeu estão diretamente associados a um aumento expressivo e preocupante da transmissão do vírus entre a parcela mais jovem da sociedade. Segundo a organização, foi detectada uma maior incidência do vírus em pessoas da faixa etária entre 20 e 39 anos.

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O fenômeno, que pode ser visto em países como França, Alemanha e Espanha, coincide com o período de relaxamento das restrições e está diretamente relacionado com a frequência na qual jovens vão a bares, restaurantes e festas.

Como explicam os especialistas, os jovens, por mais que não apresentem tantas complicações em decorrência do vírus como pacientes mais velhos, podem ser vetores perfeitos de transmissão e piorar a situação epidêmica do país.

“Eles [jovens] têm uma responsabilidade em relação a si mesmos, a seus pais, avós e comunidades. E agora sabemos como adotar comportamentos bons e saudáveis, então vamos aproveitar esse conhecimento”, afirmou Kluge à BBC.

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