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A teoria do crescimento mostra que a capacidade de desenvolvimento de um país depende, sobretudo, da produtivdade dos seus fatores, que despenca na ausência de um sistema bancário sólido e eficiente. Dessa forma, ficou claro que a maioria (para não dizer todos) dos países observou uma redução expressiva de seu produto potencial.
Se todas as nações individualmente não podem crescer como antes, isso significa que o produto potencial do mundo caiu? Antes disso, cabe a pergunta: o que é produto potencial? Antes de mais nada, cabe dizer que esse é um conceito abstrato, e muito útil para pensar economia. Simplificadamente, podemos falar que é o crescimento que um determinado local pode gerar sem pressões inflacionárias.
| “O problema hoje é atingir o alvo errado achando que era o certo” |
Mas, se não existe uma inflação mundial, como podemos definir o que é o produto potencial do mundo? Esse termo é apenas uma extrapolação de um conceito teórico, que nos ajuda a imaginar o quanto o mundo poderia crescer sem gerar pressões altistas nas taxas de juros dos mercados financeiros (ou uma inflação mais alta na maioria dos países, principalmente desenvolvidos).
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Voltando à pergunta do início do parágrafo, será que essa crise destruiu a capacidade produtiva potencial? Para isso, devemos pensar o que gera esse potencial de crescimento. Qualquer tentativa de resposta nos remete à produtividade dos fatores. Ou seja, tudo o que aumenta a produtividade e eficiência do trabalhador ou do capital, aumenta o PIB potencial.
A crise paralisou o setor financeiro (o mais relevante para a produtividade de uma economia); reduziu drasticamente o comércio exterior, gerando um retrocesso protecionista de âmbito global e acabando de vez com as chances da rodada de Doha; e transformou completamente a estrutura das economias, gerando maior participação do setor público e, naturalmente, expulsando o setor privado. Ou seja, não são poucos os fatores afetados de forma estrutural que minarão o produto potencial da economia global.
O risco que temos hoje para a economia no longo prazo é o excesso de regulação (realizada de forma incorreta), que pode atravancar o fluxo de crédito; a inibição à inovação financeira, que se bem aplicada possui uma extrordinária capacidade de geração de riqueza; e a diminuição da integração comercial dos países, o que afeta drasticamente tanto os consumidores, que terão menos opções à escolha, como as empresas, que terão maior dificuldade de estar na fronteira tecnológica.
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Assim, a crise atual possui riscos muito mais graves que uma recessão trimestral. A capacidade de o mundo gerar riqueza e prosperidade, não só entre os países desenvolvidos, mas, principalmente, entre os emergentes e pobres, está minada. Os burocratas estão entrando em ação e acreditam que estão dando sua contribuição ao desenvolvimento e à prosperidade perdida. O problema hoje não é encontrar a arma certa para atacar o inimigo, mas atingir o alvo errado achando que era o certo.
Ivo Chermont é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
ivo.chermont@infomoney.com.br