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SÃO PAULO – Aos poucos, uma ação que esteve entre as melhores da Bolsa nos últimos 5 anos, considerada de um setor defensivo e que em tempos de crise poderia ter uma das melhores performances, vem caindo forte em um cenário que pode se tornar bastante perigoso após as mais recentes notícias. Trata-se da Cielo (CIEL3), que atingiu sua máxima histórica em julho (R$ 45,93) e de lá pra cá acumula queda de 24,47%, fechando a última segunda-feira (28) a R$ 34,69 – menor valor desde fevereiro deste ano.
A virada coincidiu com a divulgação do balanço do segundo trimestre da empresa, que apesar de seguir robusto, ficou abaixo do que o mercado esperava. Porém, duas notícias que saíram desde sexta-feira podem mudar o futuro do setor da empresa: o BC divulgou novas regras para aumentar a competição dos meios de pagamento, além do rumor de que o setor pode ter um novo concorrente.
De acordo com fontes ouvidas pela Agência Estado Broadcast, o Safra deve concorrer com a Cielo e Rede no segmento chamado de adquirência, mas conhecido popularmente como das maquininhas de cartão. Isso é um reflexo do anúncio do Banco Central, que na sexta-feira instituiu novas regras para arranjos de pagamento com o objetivo de abrir o mercado e gerar competição, determinando que aqueles fechados para as modalidades de crédito e débito só poderão existir quando tiverem giro anual inferior a R$ 20 bilhões.
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O arranjo de pagamento fechado ocorre quando as atividades de emissão e credenciamento são realizadas pela empresa que também responde pelo arranjo. A bandeira de cartão Hiper, por exemplo, é um arranjo que tem o banco Itaú como emissor e a Rede como credenciadora. Mesmo situação da Elo, que tem o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco como emissores e a Cielo como credenciadora. Ambos os negócios serão afetados.
Segundo os analistas Eduardo Rosman e Gustavo Lobo, do BTG Pactual, não são esperadas grandes mudanças no setor. Mesmo assim, a notícia pode ser considerada levemente negativa para a Cielo, já que o mercado não esperava este movimento agora por parte do BC. Eles lembram que em seu relatório mais recente, em junho, a autoridade já havia mostrado que não estava 100% feliz com o nível de concentração e os preços do setor.
“Mas a sua ‘intervenção’ veio mais rápido do que o esperado, possivelmente porque os players de mercado estão levando muito tempo para se ajustar. No entanto, o fato de que o BC não mencionou que quer quaisquer mudanças nos ciclos de pagamento para transações de cartão de crédito (um tema que sempre assusta os investidores), poderia ser visto como positivo”, disse a dupla do BTG.
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Uma estrela a menos?
Apesar de todos os riscos, os analistas ressaltam que a companhia é a “top pick” deles no setor financeiro, mas que mesmo assim ela não passará incólume pela atual crise econômica. “A Cielo possui a maioria, se não todas, as características que mais gostamos em uma empresa”, disseram. Apesar de aumentarem as incertezas com uma possível maior concorrência na setor, a Cielo deve demorar para sentir algum efeito, sendo que no curto prazo o que deve pressionar as ações é exatamente a dúvida dos investidores.
Além disso, os analistas, em contato com a própria empresa, disseram que não haverá impacto na questão do float de 2 dias. “Eles mencionaram que a CIP, um player neutro, já faz a compensação e liquidação para a Cielo, sem retenção do float (ou seja, isso não muda)”, afirmaram. Segundo os analistas, este é um ponto positivo e que tira uma das dúvidas sobre o assunto, “no entanto, de qualquer forma, o tema regulação voltou e pode seguir pressionando o papel no curto prazo”.
A lembrar: nos últimos 4 anos, a Cielo acumulou ganhos de 330%, registrando altas anuais entre 31% e 53% entre 2011 e 2014. No mesmo período, o Ibovespa – principal índice de ações da BM&FBovespa – caiu 28%.
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