Choque elétrico: Safra corta preço-alvo da Light em R$ 10 e corta recomendação

Perdas de energia da Light são um dos principais fatores para a companhia - e a companhia deve dedicar R$ 150 milhões para combater

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SÃO PAULO – A crise no setor elétrico continua: dessa vez, o Safra cortou a recomendação para a Light (LIGT3) de outperform (performance acima do mercado) para underperform (performance abaixo do mercado), cortando o preço-alvo para as ações em R$ 10 – de R$ 27,00 para R$ 17,00. Assim, esse novo preço representa um downside de 14,14% frente o fechamento da última segunda-feira (8). 

De acordo com os analistas Sergio Tamashiro, Thiago Auzier, o novo modelo incorpora os resultados do 4º trimestre, além de novas estimativas para a curva de perda de energia e as projeções para o 3º ciclo de revisão tarifária, e as premissas de capex (custos de capital), dividendos e da economia. 

As perdas de energia da Light são um dos principais fatores para a companhia – e a companhia deve dedicar R$ 150 milhões para combater – dentro dos R$ 773 milhões. “Como estimamos compras de energia da ordem de R$ 4,4 bilhões e perdas de 45,2%, cada redução de 100 pontos-base pode representar um aumento no Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) de R$ 30 milhões”, avaliam.

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De acordo com eles, a companhia deve receber um Ebitda maior com a geração do que distribuição até 2015 – com a entrada de operação das planas de Belo Monte, Guanhães e Renova. Já para o segmento de distribuição eles acreditam que a RAB (Base de Remuneração de Ativos) determinada para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) deve ser de R$ 5,7 bilhões no 3º trimestre – uma alta de 21% frente o 2º ciclo. 

Outra coisa que pesa para a Light é a incerteza em relação as perspectivas de dividendos – já que a capacidade de pagar proventos no longo prazo é influenciada pelas perspectivas de perdas de energia. “Apesar de dividendos atraentes, com estimativa de pay-out de 50%, poderemos ter bastante incerteza em relação ao pagamento desses dividendos, pois as perdas de energia podem diminuir menos que o esperado”, finalizam os analistas.