China chama venda do TikTok nos EUA de ‘posse coercitiva’

O aplicativo é acusado de representar risco para a segurança nacional, segundo o governo de Donald Trump

Bloomberg

(Chesnot/Getty Images)
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(Bloomberg) – O chefe da Missão Chinesa para a União Europeia acusou o governo dos Estados Unidos, que obrigou venda do TikTok por motivos de segurança nacional, de “bullying econômico” e criticou as restrições da UE contra a Huawei Technologies, destacando a crescente assertividade da China contra o que considera um tratamento injusto de governos ocidentais.

“O que aconteceu com o TikTok no Estados Unidos é um ato típico de posse coercitiva”, disse o embaixador Zhang Ming. “Alguns políticos americanos estão tentando construir a chamada rede limpa sob a cobertura da justiça e reciprocidade e blá, blá, blá”, disse Zhang em entrevista à Bloomberg TV. “Isso não passa de bullying econômico.”

O TikTok, controlado pela Bytedance, está sob pressão nos EUA, onde a proibição do presidente Donald Trump obrigou a venda das operações americanas do TikTok, que no fim de semana apresentou uma proposta ao Departamento do Tesouro na qual a Oracle servirá como “provedora de tecnologia confiável”, disse a empresa de software.

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Os comentários de Zhang representam um refrão frequentemente repetido pelo governo de Pequim, que acusa os EUA de atacar a Huawei sem provas e chama a venda forçada do TikTok nos EUA de “roubo sancionado pelo estado”.

A oferta da Oracle, que será acompanhada de perto, terá que passar por uma revisão de segurança nacional dos EUA, bem como obter o sinal verde do presidente Trump. Em vez de comprar a empresa, a Oracle fará um investimento em um TikTok recém-reestruturado, e pelo menos dois acionistas da controladora chinesa do TikTok, General Atlantic e Sequoia Capital, ficariam com uma participação no novo negócio, informou a Bloomberg na segunda-feira, citando pessoas com conhecimento da proposta. Os termos do acordo, que também exigiria a assinatura da China, ainda estão em andamento.

Zhang disse que a exclusão de empresas chinesas dos mercados europeu e americano por motivos de segurança nacional não está baseada em nenhuma evidência concreta. O embaixador disse que uma “caixa de ferramentas” da UE que permite aos governos do bloco excluir empresas chinesas como a Huawei dos componentes críticos das redes de telecomunicações de 5ª geração é injustificada.

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“Bem, sinto muito, essa caixa é uma caixa escura”, disse Zhang. “Ninguém conhece os critérios para fornecedores de alto risco”, disse o embaixador, acrescentando que as regras da UE vão contra os princípios de “livre comércio, multilateralismo e não discriminação”.

Em um conjunto de diretrizes acordadas sobre como mitigar os riscos decorrentes da implantação de redes de telecomunicações de próxima geração no início deste ano, a UE disse que empresas com sede em países não democráticos poderiam ser excluídas de licitações de certos componentes essenciais, após avaliações por agências de segurança.