CFO da Vale confirma que empresa considera IPO de unidade de metais básicos

Durante o mesmo evento, o presidente da companhia, Murilo Ferreira, falou sobre o futuro da mineradora, dizendo que ainda pode haver mais volatilidade no preço do minério de ferro

Publicidade

SÃO PAULO – Em evento realizado em Nova York nesta terça-feira (2), o CFO da Vale (VALE3; VALE5), Luciano Siani, confirmou em entrevista para a Bloomberg que a realização de um IPO da unidade de metais básicos da companhia é uma possibilidade, mas que nenhuma decisão foi tomada até o momento. De acordo com ele, a unidade pode valer entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões.

Durante o mesmo evento, o presidente da companhia, Murilo Ferreira, falou sobre o futuro da mineradora, dizendo que ainda pode haver mais volatilidade no preço do minério de ferro, o que mantém os desafios para o período entre 2015 e 2016. Mais cedo a empresa divulgou seu plano de investimentos para o próximo ano, projetando um valor de US$ 10,2 bilhões, sendo dispêndios de US$ 6,358 bilhões para a execução de projetos e US$ 3,809 bilhões dedicados à manutenção das operações existentes.

A companhia destacou ainda que este “é o quarto ano consecutivo que a Vale reduz seu orçamento de investimentos, mantendo disciplina na alocação de capital e focando apenas em projetos de classe mundial”.

Continua depois da publicidade

Em nota, a Vale afirmou que as principais iniciativas de crescimento em minério de ferro são responsáveis por 71% dos US$ 6,358 bilhões orçados para o desenvolvimento de projetos em 2015. Entre os programas estão a expansão das operações integradas de minério de ferro em Carajás, que deve custar US$ 3,696 bilhões, através dos projetos S11D e CLN S11D.

O negócio de minério de ferro da Vale respondeu por 62% da receita bruta da empresa no terceiro trimestre. O portfólio global de ativos da Vale também inclui ativos de níquel no Canadá, Indonésia e Nova Caledônia, minas de carvão na Austrália e Moçambique, bem como projetos de cobre no Canadá, Brasil e Zâmbia.

Os preços do minério de ferro caíram pela metade este ano para mínimas em cinco anos, abaixo de US$ 70 a tonelada, à medida que mineradoras de peso como Vale, Rio Tinto e BHP Billiton elevaram a produção em um momento em que a demanda da China, principal cliente do insumo utilizado em produtos siderúrgicos, diminuiu.

Continua depois da publicidade

O UBS estima que a Vale arca com um custo de US$ 67 para produzir uma tonelada de minério de ferro e enviá-la para a China, o que deixa a empresa em situação apertada conforme busca completar seu projeto brasileiro de minério de ferro de US$ 20 bilhões conhecido como S11D.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.