Cesp sofre com drástica perda de valor estratégico, alerta Itaú BBA

Segundo analistas da instituição, nem mesmo a hipótese de uma privatização torna a relação risco-retorno atraente para os investidores

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SÃO PAULO – No que chamou de déjà vu, o Itaú BBA relatou ver drástica perda de valor estratégico da Cesp (CESP6) sob as novas regras impostas ao setor pelo governo. A expectativa melhora caso, de fato, ocorra a privatização da empresa, mas mesmo assim a relação risco-retorno não é atrativa, alertam.

Pelo primeiro cenário, a empresa classificou as ações da Cesp como “abaixo da média do mercado”, o equivalente a venda, alegando uma redução no teto dos preços cobrados nas novas concessões, que passam de R$ 65/megawatt na estimativa anterior para R$ 30/megawatt, já considerando a queda do preço da energia a partir de janeiro até julho de 2015. A equipe de avaliação diz que a queda de 36% das ações desde a última recomendação de venda é justificada.

A instituição também adicionou um preço-alvo para o próximo ano, de R$ 21, bem abaixo dos R$ 37 projetados para o fim deste. O banco levou em consideração também o período de concessão de 30 anos da Cesp sob as novas regras do governo, além de uma indenização de R$ 1,1 bilhão por ativos não depreciados e a compra de 33.900 gigawatts pelo período de 2013 a 2023, ao preço de R$ 95/megawatt, e uma redução em cerca de R$ 100 milhões nos custos operacionais. Os analistas também levam em consideração o cenário macroeconômico.

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A expectatiava para a empresa, porém, melhora um pouco quando esperada que a privatização total da empresa se concretize. Nesse cenário, a projeção para o preço-alvo da companhia em 2013 passa para R$ 26,60, contra os R$ 46,60 projetados anteriormente para o final deste ano. Os analistas ressaltam, contudo, que ainda preferem não correr o risco. “Não vemos motivo para manter as ações da Cesp no curto prazo”, escreveram os analistas Marcos Severine e Marianna Coelho em relatório.

Energia secundária: ganhos apenas para o consumidor
A perda com a receita da venda de energia secundária é outro ponto que o banco alerta que poderá impactar o caixa da Cesp. Segundo os analistas, essa energia é bem relevante para a companhia (cerca de 6% de suas receitas). Como as hidrelétricas da companhia produzem mais energia do que necessitam, uma parte desse excedente é vendido no mercado spot, o que gera uma receita de R$ 250 milhões, ou R$ 70/megawatt.

“O fato é que a proposta da concessão da renovação aparentemente transferiu os benefícios da energia secundária apenas para os consumidores, sinalizando que os ganhos com a energia extra não deverão ser obtidos pela Cesp”, concluem os analistas.