Energia

Cesp pretende reduzir custos em 50% até 2015

Corte nos gastos será resultado da não renovação das concessões das usinas hidrelétricas Jupiá, Ilha Solteira e Três Irmãos

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SÃO PAULO – A companhia paulista de energia Cesp (CESP6) quer reduzir seus custos em 50% até 2015, como resultado da não renovação das concessões das usinas hidrelétricas Jupiá, Ilha Solteira e Três Irmãos, afirmou o presidente da empresa, Mauro Arce, nesta quinta-feira (6), em reunião com investidores e analistas.

A redução considera custos com pessoal, material e serviços de terceiros e Arce acredita ser possível que a empresa de cerca de 1.240 funcionários passe a operar com 700 empregados.

“Não é que eu vou fazer uma redução de qualquer forma: eu estou perdendo 70% da minha capacidade de gerar energia e gerar recursos”, disse Arce sobre as três usinas que deixará de operar.

A Cesp recusou a renovação das concessões das hidrelétricas, sendo que o contrato de Jupiá e Ilha Solteira vai até julho de 2015 e de Três Irmãos terminou em novembro de 2011.

A Cesp chegou a solicitar a prorrogação do prazo da concessão de Três Irmãos com 18 meses de antecedência ao término do contrato, mas não obteve resposta do governo federal que, posteriormente, incluiu a usina nas regras da Medida Provisória 579, de renovação condicionada das concessões do setor elétrico.

Se optasse por continuar com Três Irmãos e pela renovação antecipada das outras duas usinas, a Cesp receberia indenização por ativos não amortizados nas hidrelétricas de R$ 1,76 bilhão, dos quais R$ 1,74 bilhão é referente à Três Irmãos.

“Uma coisa que a gente está pedindo insistentemente é explicar: como vocês (governo) chegaram em um número tão diferente (do nosso)?”, disse Arce, ao explicar que está buscando maior abertura dos cálculos realizados pelo governo federal e poderá questionar os valores na Justiça.

A Cesp calcula que teria que receber 3,5 bilhões de reais em indenizações por Três Irmãos, R$ 2,7 bilhões por Ilha Solteira e R$ 800 milhões por Jupiá.

A empresa também avalia juridicamente se poderia aceitar o valor de indenização estabelecido pela União e depois continuar questionando o restante do montante que calcula ter direito.

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O uso dos recursos de indenização a serem recebidos serão direcionados preferencialmente para pagamento de dívidas da Cesp, segundo Arce.

As provisões referentes à contabilização de baixa das usinas hidrelétricas no balanço da companhia só serão feitas após a Cesp conhecer com detalhes os números apresentados pelo governo federal.