China x EUA

CEO da Huawei diz que filha presa “deveria se orgulhar” por ser moeda de troca em guerra comercial

Meng Wanzhou é filha do CEO da Huawei, além de ser CFO da companhia. Ela foi presa em 2018 no Canadá e aguarda extradição para os EUA

Meng Wanzhou, CFO da Huawei falando ao telefone em uma mesa de jantar. Ela usa um vestido preto e fala ao celular com a mão direita
Meng Wanzhou, filha do CEO da Huawei e CFO da companhia. (Shutterstock)

SÃO PAULO – Ren Zhengfei, CEO (diretor executivo) da Huawei, disse em uma entrevista para a CNN que sua filha e CFO (diretora financeira) da companhia, Meng Wanzhou, “deveria se orgulhar” por ser uma peça tão importante no fogo-cruzado da guerra comercial entre China e Estados Unidos.

Meng atualmente está em prisão domiciliar no Canadá e aguarda um pedido de extradição do governo americano por suspeitas de violar sanções comerciais dos EUA.

“Ela deveria se orgulhar de se encontrar nessa situação. No meio de uma luta entre duas nações, ela acabou se tornando uma moeda de troca”, afirmou Ren durante a entrevista. “Como um pai, é claro que eu me importo e me preocupo com meus filhos. Ainda sim, sofrer pode ser bom para Meng e para seu amadurecimento”, completou.

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Não é a primeira vez que Ren tece comentários paternais um tanto quanto curiosos. Em uma entrevista no começo de 2019, o empresário disse que seus filhos não haviam passado por tempos difíceis em suas vidas – ainda se referindo à prisão de Meng.

“Sob o cenário da guerra comercial China-EUA, ela [Meng Wanzhou] é como uma formiga pequena, ficando presa entre a colisão de duas potências gigantes”, disse à CNN.

Prisão e a guerra comercial

Meng foi presa ano passado durante uma passagem ao Canadá, sob a acusação de violar sanções comerciais americanas. Segundo apurou a Reuters à época, a vice-presidente do Conselho e CFO da Huawei foi detida em Vancouver pela polícia canadense sob pedido das autoridades americanas. Meng ainda aguarda extradição para os EUA.

Ela foi solta dez dias mais tarde após pagar dez milhões de dólares canadenses (cerca de R$ 31 milhões) de fiança, de entregar seu passaporte e de concordar em usar uma tornozeleira eletrônica até que o julgamento seja concluído.

Vale ressaltar que a Huawei é pivô de uma guerra comercial que se estende por meses entre os dois países. Em dezembro de 2018, Meng foi presa e acusada de violar sanções comerciais com o Irã por meio de subsidiarias da Huawei.

A CFO nega as acusações. O governo de Donald Trump ainda colocou a gigante chinesa de telecomunicações na lista negra do comércio e acusa a companhia de espionagem.

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Em agosto de 2018, o presidente americano assinou uma lei que proíbe as agências do governo americano de usarem equipamentos da Huawei. O governo ainda estuda uma ordem executiva para que proíba empresas americanas de fazerem o mesmo.

Países alinhados com o governo americano, como Austrália e Nova Zelândia, aderiram. Ambos os países impediram suas empresas de telecomunicações de usarem equipamentos ou tecnologias da companhia chinesa.

Neste ano, Trump já afirmou que poderia interferir no Departamento de Justiça do país no trâmite contra a filha de Ren, caso isso ajudasse na assinatura de um acordo comercial com Pequim.

Um texto no blog da Huawei também afirma que a prisão de Meng “poderia ser usada como moeda de barganha entre futuras negociações comerciais” entre os dois países.

Um ano presa

Meng, que completou um ano presa no último domingo (1), escreveu uma carta sobre como foi esse período no Canadá. O texto, publicado em inglês, foi postado no blog da Huawei.

A filha do CEO afirma que a relação com a família está ótima, mas que o tempo tem passado muito devagar. Meng está em prisão domiciliar em uma das casas da família em Vancouver e é obrigada a usar uma tornozeleira eletrônica.

“Nunca foi minha intenção ficar presa aqui por tanto tempo, mas já se passou um ano inteiro e eu ainda estou aqui. Agora, o tempo parece passar devagar”, escreveu Meng na postagem.

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