Sem pretensões

CEO da Adidas quer ficar fora da política para evitar armadilhas

As empresas ocidentais tentam equilibrar um crescimento rápido e, ao mesmo tempo, serem vistas como promotoras da justiça social e dos direitos humanos

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(Bloomberg) — A Adidas deve se concentrar no esporte, e não na política, quando se trata de lidar com o aumento das tensões mundiais, como os protestos pró-democracia em Hong Kong, disse o CEO da empresa, Kasper Rorsted.

“Nosso papel é garantir que as pessoas pratiquem esportes, tenham uma vida mais saudável, fornecendo os melhores produtos, seja na China, Estados Unidos, na Dinamarca ou na Alemanha, e essa é a nossa posição sobre isso”, disse Rorsted em entrevista à Bloomberg TV.

A empresa alemã vende produtos em mais de 75 mercados, e é muito complicado entrar na política por causa da ampla gama de sistemas políticos, afirmou.

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As empresas ocidentais tentam equilibrar o objetivo de alcançar um crescimento rápido e, ao mesmo tempo, serem vistas como promotoras da justiça social e dos direitos humanos. A Nike foi criticada no mês passado pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que acusou a empresa de “deixar sua consciência social na porta” no que diz respeito à China.

Muita coisa pode estar em jogo. A crise enfrentada na China pela Associação Nacional de Basquete dos EUA, desencadeada pelo gerente-geral do Houston Rockets, que tuitou apoio aos manifestantes de Hong Kong, já causou perdas substanciais à liga, segundo o comissário Adam Silver. Daryl Morey deletou o tuíte, mas a China se sentiu ofendida e patrocinadores da NBA no país cortaram relações com a liga.

Marcas de luxo, como Versace e Givenchy, sofreram críticas na China por não se referirem a Hong Kong e Taiwan como parte do território chinês. A Christian Dior foi criticada depois de uma apresentação em uma universidade com um mapa do país que excluía Taiwan.

As vendas da Adidas aumentaram 11% na região da grande China no terceiro trimestre, segundo balanço da empresa divulgado na quarta-feira, que superou as estimativas. A Adidas está produzindo mais no país e sentiu pouco impacto da guerra comercial entre China e EUA.

“A China continua sendo um mercado muito importante para nós também no futuro”, disse Rorsted.

A Adidas nem sempre seguiu a postura defendida agora por Rorsted. Depois que Donald Trump elogiou a esposa do presidente francês Emmanuel Macron em 2017 por ser bonita e estar “em tão boa forma”, a Reebok, uma marca da empresa, tuitou um fluxograma sobre quando esse tipo de comentário é adequado. A marca foi depois criticada por mostrar mulheres com pouca roupa nos anúncios.

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