Capítulo 2 da novela da Oi: BES acalma, risco de fusão diminui e ações disparam

Depois de desabarem ontem, as ações preferenciais da operadora brasileira subiram 14% hoje, enquanto as preferenciais avançaram 10,39%

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SÃO PAULO – As ações da Oi (OIBR4) tiveram seu pregão de redenção hoje, depois de terem sido fortemente impactadas nos últimos dias por conta da investida da Portugal Telecom – empresa que está em processo de fusão com a brasileira – em dívidas da RioForte, do GES (Grupo Espírito Santo), cuja divisão não-financeira passa por severas dificuldades. Após desabarem 14% na véspera, os papéis preferenciais da Oi dispararam 14,08% neste pregão, a R$ 1,62 – figurando na maior alta do Ibovespa -, segundo cotação das 16h50 (horário de Brasília). As ações ordinárias OIBR3, que não são negociadas no índice, subiram 10,39%, a R$ 1,70.  

A Oi entra como pano de fundo nos problemas do banco português, depois que, no final de junho, a Portugal Telecom anunciou que teria investido 897 milhões de euros na dívidas do BES. O mercado temia que os problemas com o banco português pudesse atrapalhar a transação. 

Hoje, no entanto, três fontes governamentais que acompanham o assunto disseram à Reuters que o governo federal segue à distância a situação de disputa entre os sócios da Oi e da Portugal Telecom e não acredita, pelo menos até o momento, em ameaça à fusão das duas empresas. A fusão entre os grupos estava prevista para ser concluída em outubro, mas a descoberta de um investimento da Portugal Telecom, de cerca de 900 milhões de euros, em uma empresa do grupo Espírito Santo, gerou uma série de incertezas entre os acionistas sobre a união das companhias. O grupo Espírito Santo controla o banco BES, maior acionista da Portugal Telecom.

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Segundo a fonte, até o momento, os movimentos do governo brasileiro estão se dando no nível institucional. Isso envolve monitoramento por órgãos regulatórios como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), cuja área técnica chegou a pedir informações para as empresas, disse outra fonte sem precisar o teor da solicitação.

“Alívio” externo
Além disso, um comunicado feito pelo BES ajudou a aliviar o nervosismo do mercado. O banco informou ontem à noite que teria capital suficiente para aguardar eventuais perdas do GES. Hoje, as ações do banco tiveram suas negociações retomadas na Bolsa de Lisboa, depois de ficarem suspensas por quase 24 horas. A suspensão decidida pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) foi encerrada depois que o BES emitiu um comunicado em que esclarecia as relações ao GES. No documento, o BES disse acreditar que um eventual calote da dívida emitida por entidades do GES não ameaça o cumprimento das proporções exigidas de capital, dado que tem um colchão de 2,1 bilhões de euros acima do mínimo necessário.

Aliado a isso, o banco central de Portugal disse que o BES tem capital suficiente para enfrentar as potenciais perdas do GES, sendo que a segurança dos fundos do BES não está comprometida. “Não existem motivos que comprometam a segurança dos fundos confiados ao BES, portanto os depositantes podem ficar tranquilos”, ressaltou.

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Maior banco listado de Portugal, o BES está no centro de uma tempestade após preocupações sobre suas ligações com uma rede de empresas controladas pelo poderoso clã Espírito Santo ter provocado uma turbulência nos mercados globais nesta semana, o que levou algumas empresas europeias a suspender captações de recursos, revivendo memórias da crise da dívida na região.

Apesar dos esclarecimentos, que de certa forma ajudaram a dissipar a tensão do mercado, as ações do BES fecharam em queda de 5,5% na Bolsa de Lisboa nesta sexta-feira, enquanto os papéis da Portugal Telecom caíram 1,61%.