Bradesco reduz previsão de crédito, mas eleva margens no 3º tri e agrada mercado

Analistas, que davam a revisão como certa, deram mais atenção a itens como a margem financeira de juros

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SÃO PAULO – O Bradesco (BBDC3; BBDC4) se rendeu ao cenário econômico adverso do país e reduziu a previsão para empréstimos em 2014, mas seus sinais de foco na manutenção das margens de lucro e no controle da inadimplência e dos custos agradaram o mercado.

O segundo maior banco privado do país reduziu a previsão de alta da carteira de crédito em 2014, de 10 a 14% para 7 a 11%, após seu estoque de empréstimos subir apenas 7,7% em 12 meses até setembro, a 444,2 bilhões de reais.

“Prevemos uma aceleração no quarto trimestre, que nos permita alcançar o centro da estimativa revisada, disse o diretor executivo Moacir Nachbar, em teleconferência a jornalistas sobre os resultados do terceiro trimestre.

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Analistas, que davam a revisão como certa, deram mais atenção a itens como a margem financeira de juros, taxa média que os bancos cobram na concessão de empréstimos, ao controle de despesas, às maiores receitas com tarifas e aos sinais de que a inadimplência está sob controle.

“Margens de crédito, o forte controle de custos e a robusta performance em tarifas mais que compensaram as provisões maiores (para calotes) e o menor resultado em seguros”, comentou em relatório a equipe do Credit Suisse liderada por Marcelo Telles.

O banco também elevou a estimativa para alta da margem financeira com juros, do intervalo de 6 a 10 para o de 9 a 12% em 2014. No terceiro trimestre, o indicador foi de 7,5%, queda sequencial de 0,2 ponto, mas 0,5 ponto maior em 12 meses.

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Nachbar disse que o nível atual deve se manter, refletindo uma competição menos acirrada entre os bancos por crédito.

O Bradesco também viu um avanço de 13,3% das receitas com tarifas e serviços, a 5,639 bilhões de reais, e elevou a previsão de aumento nesta linha em 2014, da faixa de 9 a 13 para a de 11 a 14%.

Para analistas, o movimento revela preocupação da empresa em manter o nível de rentabilidade. No terceiro trimestre, o retorno do Bradesco sobre patrimônio líquido (ROE), que mede como bancos remuneram o capital de seus acionistas, foi de 20,4%, ante 18,4 % no terceiro quarto de 2013, mas levemente abaixo dos 20,7% de três meses antes.

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Às 14h26, a ação do Bradesco disparava quase 7%, a 35,99 reais, numa das maiores altas do Ibovespa, que subia 2,3% no mesmo instante. As ações do setor bancário também refletiam a inesperada alta de 0,25 ponto da Selic na véspera, o que foi lido por economistas como sinal de maior comprometimento do governo federal em controlar a inflação.

No terceiro trimestre, o lucro líquido do Bradesco subiu 26,5% ante igual etapa de 2013, a 3,875 bilhões de reais. Em base recorrente, o lucro foi de 3,95 bilhões de reais, avanço de 28,2% e levemente acima da previsão média de analistas ouvidos pela Reuters, de 3,849 bilhões de reais.

O resultado veio mesmo após efeito contábil negativo de 598 milhões de reais gerado pelo colapso do português Banco Espírito Santo, no qual o banco tinha 3,9% do capital.

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Uma das linhas que menos agradaram os analistas foi o índice de calotes acima de 90 dias, que subiu a 3,6% no trimestre, ante 3,5% no fim de junho e 3,6% em setembro de 2013, mesmo com foco em linhas consideradas mais seguras, como imobiliária e consignado.

Além disso, a despesa com provisões para perdas com inadimplência somou 3,348 bilhões de reais, avanço de 16,2% ante igual etapa do ano passado.

O banco atribuiu esse avanço ao “agravamento do nível de risco de casos pontuais, ocorridos em operações com clientes corporativos, que se iniciou no segundo trimestre”.

Nachbar minimizou o fato e previu que a inadimplência vai se manter nos atuais níveis nos próximos trimestres. “Não vemos riscos sistêmicos de aumento da inadimplência”, disse.