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SÃO PAULO – Os resultados do terceiro trimestre da JBS (JBSS3) parecem ter dividido os analistas do Bank of America Merrill Lynch: se por um lado os fortes números fizeram com que o time do banco elevasse o preço-alvo esperado para as ações da empresa ao final dos próximos 12 meses, por outro lado a preocupação com as operações da companhia nos Estados Unidos fez com que os analistas reduzissem as estimativas de resultado para este ano.
Em relatório assinado pelos analistas Fernando Ferreira e Isabela Simonato, o novo “target” para ações JBSS3 passou de R$ 7,00 para R$ 7,20, o que representa um potencial de valorização de 19%, tendo como base a cotação de fechamento desta sexta-feira (16). Contudo, a recomendação “underperform” (performance abaixo da média do mercado) foi mantida para esses papéis, com os analistas justificando isso ao alto prêmio embutido nos múltplos da empresa – avaliando o EV/Ebitda (Valor de Mercado/Ebitda) e o P/L (Preço/Lucro) projetados para 2013, percebe-se que a JBS está com múltiplos entre 20% e 30% maiores do que de seus pares da América Latina e dos EUA.
“Nós também baseamos nossas estimativas em um cenário mais cauteloso para o curto prazo na divisão dos EUA, já que esperamos que as margens sejam pressionadas pela alta nos preços do gado e dos grãos”, complementam Ferreira e Isabela. Por conta disso, a estimativa de Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado para 2013 em 10%, indo para R$ 4,5 bilhões, enquanto o lucro por ação estimado para o próximo ano foi para R$ 0,44 – queda de 13,6% ante as projeções anteriores.
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Momento é de cautela
Até mesmo os bons sinais apresentados no balanço do terceiro trimestre da JBS são motivos para que o investidor ligue o “sinal amarelo” nos próximos meses, alertam os analistas do BofA. Na América Latina, eles destacam o “momentum” positivo das operações no Mercosul – principalmente no Brasil -, tendo em vista os baixos preços do gado, as exportações em alta e a estabilidade no preço do bife no mercado doméstico.
Contudo, diante do anúncio de que a JBS vai aumentar em 15% sua capacidade de produção de cabeça de gado em 2013 com a abertura de 6 áreas produtivas, Ferreira e Isabela não descartam a possibilidade de um excesso de demanda no mercado interno, limitando o aumento das margens no curto prazo.
Já nos EUA, os resultados fortes em todas as divisões de atuação no terceiro trimestre não ofuscam as preocupações com a oferta menor de gado e o aumento nos preços dos grãos, o que deve começar a afetar negativamente as margens da processadora de carnes. “As margens do bife spot (à vista) já estão negativas com a alta nos preços do gado como resultado das margens da oferta mais apertada”, comentam os analistas do Bank of America.