Combate a pandemia

Bilionário Lemann investe para colocar Brasil no mapa da vacina

Jorge Paulo Lemann está financiando testes com a vacina da AstraZeneca no Brasil, depois de ter sido procurado pela Fundação Bill & Melinda Gates

Jorge Paulo Lemann
(Foto: Valéria Gonçales/Estadão Conteúdo/AE)
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(Bloomberg) — O homem mais rico do Brasil está usando sua fortuna pessoal para garantir um lugar para o país na corrida por uma vacina contra o coronavírus.

Jorge Paulo Lemann está financiando testes com a vacina da AstraZeneca no Brasil, depois de ter sido procurado pela Fundação Bill & Melinda Gates, disse ele em entrevista no Bloomberg New Economy Forum na terça-feira. Até agora, os resultados do Brasil no combate à pandemia “não tem sido bons”, disse.

“É mais difícil ser disciplinado aqui, você tem muitas favelas, muitas pessoas”, disse Lemann. “É mais difícil testar, mais difícil dizer que eles não podem sair na rua — muitos deles dependem de sair para trabalhar.”

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Embora o ritmo de novas infecções por coronavírus no Brasil tenha diminuído um pouco, a preocupação cresceu com o aumento das hospitalizações em São Paulo – o epicentro da doença no país.

O Brasil tem o terceiro maior número de casos de coronavírus no mundo, com mais de 5,9 milhões de infecções e atrás apenas dos EUA em mortes, com 166.699 óbitos.

Também se tornou um campo de batalha política, com o governo do presidente Jair Bolsonaro discutindo em público com governadores sobre medidas de isolamento e repetidamente minimizando a gravidade da doença.

Não tem sido diferente quando se trata de vacinas. Cientistas brasileiros ficaram perplexos após a Anvisa determinar a suspensão de testes com a CoronaVac da Sinovac Biotech na semana passada, depois que um voluntário envolvido nos testes morreu, por motivo não ligado à vacina – a suspensão foi rapidamente revertida.

Bolsonaro criticou várias vezes a vacina de origem chinesa, que está sendo defendida por um de seus rivais políticos, o governador de São Paulo, João Doria.

Corrida pela vacina

A fundação que leva o mesmo nome do bilionário está financiando uma unidade de produção e testes da AstraZeneca no país, disse em outra entrevista o diretor executivo Denis Mizne, da Fundação Lemann. A fundação também direcionará uma parcela maior de suas bolsas de pós-graduação para projetos de pesquisa de vacinas.

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A Fundação Lemann se juntou a outras organizações – a maioria com laços com o próprio Lemann – e gastou cerca de R$ 100 milhões para modernizar uma instalação no Rio de Janeiro para produzir até 30 milhões de doses da vacina da Astra por mês a partir do início de 2021. Também gastou um valor não divulgado para financiar testes em todo o Brasil.

“As pessoas estão muito à flor da pele”, disse Mizne, sobre o debate das vacinas. “As pessoas estão assistindo ao debate científico como se fosse uma partida de futebol, com narradores minuto a minuto. Isso é inútil.”

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O barulho político “gigantesco” serve apenas para alimentar as suspeitas das pessoas sobre a vacina, de acordo com Mizne. Ainda assim, disse ele, tanto o governo de São Paulo quanto o governo de Bolsonaro agiram certo em comprar lotes do medicamento experimental com antecedência e fechar acordos para produzir as vacinas localmente.

A vacina da Astra está sendo desenvolvida com a Universidade de Oxford e tem mostrado resultados promissores em testes em humanos. A empresa fechou acordos para fornecer centenas de milhões de doses da vacina experimental para o Reino Unido, EUA, Europa e China. No México, fez parceria com o bilionário Carlos Slim para produzir até 250 milhões de doses para o México e a Argentina.

O Brasil, já com as contas públicas em dificuldades antes do início da pandemia, enfrenta o surto do coronavírus enquanto lida com seu tamanho continental, burocracia mundialmente conhecida e confrontos entre os governos estaduais e federal. Empresas e bilionários vêm tentando acelerar o processo.

O Itaú Unibanco doou R$ 1 bilhão para a criação de uma nova organização de combate ao vírus – suas bilionárias famílias controladoras entraram com outros R$ 200 milhões.

“Se o Brasil não estiver no mapa da pesquisa de vacinas, nunca poderemos realmente sair dessa situação”, disse Mizne.

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