Ligação com Lava Jato?

Bilhete de Marcelo Odebrecht cita André Esteves; ação do BTG desaba na Bolsa

PF entregou hoje à Justiça cópia de um bilhete de Marcelo Odebrecht para seus advogados, no qual ele pediu para "destruir e-mail sondas"

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SÃO PAULO – Um bilhete manuscrito pelo presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, aproxima a Operação Lava Jato da Sete Brasil, empresa que tem o BTG Pactual (BBTG11), de André Esteves, como maior acionista.

Uma possível ligação que já traz impactos no mercado. Na sessão desta quarta-feira, 24, as ações do BTG Pactual caíram 3,68%, fechando a sessão a R$ 29,85, no menor patamar desde 14 de maio. Além da variação, chamou atenção o forte volume financeiro movimentado com o papel, que bateu R$ 116 milhões, contra média diária de R$ 41,5 milhões dos últimos 21 pregões. 

Interessante notar que o BTG Pactual intermediou a maioria das compras do papel hoje, ou 40% das operações de compra feitas com a ação do banco nesta sessão. Uma especulação é que o banco tentou defender o papel de uma queda ainda maior, mas não dá para afirmar, já que a única informação que se tem de concreto é que ele intermediou essas operações. Na ponta oposta, o Morgan Stanley aparece como o maior vendedor, intermediando 40% das operações.  

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Segundo operadores procurados pela Reuters, o movimento foi atrelado ao fato de o nome de Esteves aparecer no bilhete, embora não tenha como confirmar se a pessoa mencionada por Odebrecht é o controlador e presidente do BTG ou um homônimo.

A Polícia Federal entregou hoje à Justiça cópia de um bilhete de Marcelo Odebrecht para seus advogados, no qual ele pediu para “destruir e-mail sondas”. O presidente da empreiteira está preso preventivamente em carceragem na PF, em Curitiba, desde 19 de junho, suspeito de participar de esquema de corrupção da Petrobras.  

No bilhete, aparece: “destruir e-mail sondas Vs RR. e-mail RR era da Braskem, assim o que conseguirem recuperar por lá história, incentiva AndreEsteves. Lembrar que talvez naquela época Sete era aproximadamente Petrobras offbalance, portanto ajudar Sete era igual ajudar Petrobras”. 

O bilhete trata-se de um email, de 21 de março de 2011, apreendido na sede da empresa em 2014. A mensagem foi enviada por Roberto Prisco Ramos, ex-funcionário da Braskem (braço petroquímico da Odebrecht) e hoje presidente da Odebrecht Óleo & Gás, que comunica Marcelo Odebrecht do andamento das negociações relacionadas à Sete Brasil. Na mensagem, ele afirma ter negociado com um certo “André” um sobrepreço de US$ 20 mil a US$ 25 mil por dia na operação com sondas, o que, segundo Moro, está relacionado a contratos com a empresa Petrobras (PETR3; PETR4). 

O delegado da PF informou o juiz Moro que notificou a Braskem, desde as buscas realizadas na sede da empresa na última sexta-feira, a apresentar em cinco dias os arquivos da caixa de e-mail de Ramos, que ficam guardadas em empresas terceirizadas. As ações da Braskem encerraram a sessão de hoje com alta de 2,18%, a R$ 13,13. A PF acredita que Marcelo Odebrecht tenha se referido a Roberto Prisco Ramos como “RR” no bilhete manuscrito apreendido com ele na carceragem. 

Já a Braskem afirmou em nota que todo o conteúdo do e-mail, incluindo a operação com sondas, não tem relação com qualquer atividade da empresa. A Braskem diz que Prisco Ramos trabalhou na Braskem até dezembro de 2010 e, na data referida na mensagem, já havia sido transferido para outro empresa da Organização Odebrecht. 

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