BBM Logística amplia desempenho operacional no 1º trimestre e mantém M&As no radar

Empresa viu faturamento líquido subir 12% entre janeiro e março, mas encerrou período com prejuízo de R$ 28,4 milhões

Rikardy Tooge

Operação da BBM Logística (Divulgação)
Operação da BBM Logística (Divulgação)

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Em um trimestre historicamente mais fraco para o setor de transportes, a BBM Logística considerou positivo seu desempenho operacional no primeiro trimestre deste ano. Entre janeiro e março, a empresa obteve R$ 396,6 milhões em receita líquida, com crescimento de 12% em relação a igual período de 2022.

Por outro lado, a alta carga de juros penalizou a BBM, a exemplo do que ocorre com outras companhias de capital intensivo. Com um custo de dívida a 8,25% de juro real nos últimos 12 meses, a empresa aumentou seu prejuízo líquido em 52,9% no período, para R$ 28,4 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) cresceu 60,2% em relação ao primeiro trimestre de 2022, para R$ 26,5 milhões, com margem de 6,7% (alta de 2 pontos percentuais). O retorno sobre o capital investido (ROIC, em inglês) subiu 8,8 pontos, para 13,6%.

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“O desempenho operacional mostrou que tem sido bem-sucedida a nossa busca por mais eficiência, iniciada há quase um ano. Mas os juros seguem sendo um detrator da última linha do balanço para nós e nossos concorrentes”, lembra o CEO Antonio Wrobleski.

Antonio Wrobleski, CEO da BBM Logística (Divulgação)
Antonio Wrobleski, CEO da BBM Logística: novo CEO é conselheiro da companhia desde 2015 (Divulgação)

Apesar do prejuízo líquido no trimestre, Wrobleski afirma que o segundo trimestre em curso traz boas perspectivas, especialmente com maior previsão de como será a macroeconomia no novo governo. “Ocorre uma volatilidade natural a qualquer troca de presidente”, reforça.

Também será o primeiro trimestre completo de Wrobleski no comando da BBM. Com 35 anos no mercado logístico e passagem pela DHL Brasil, o executivo era conselheiro da BBM desde 2015.

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No começo de março, assumiu o cargo de CEO no lugar de André Prado, que guiou a companhia em quatro M&As entre 2018 e 2020, na esteira da entrada do fundo Status na empresa. A BBM chegou a encaminhar uma oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês), que acabou não se concretizando por condições de mercado.

Wrobleski reforça que a estratégia de crescimento, misturando alavancagem operacional com novas aquisições vai permanecer na companhia.

“Ainda temos nossa diretoria de M&As ativa e buscando oportunidades. Estamos sendo mais seletivos, mas temos conversado e podemos ter novidades”, afirma. Atualmente, a BBM tem mais de 5,6 mil funcionários, 4 mil veículos em operação e 20 milhões de entregas por ano.

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Estrutura de capital

Para o CFO da BBM, André Gaia, a empresa segue trabalhando para melhorar seu perfil de dívida, tanto em prazo quanto nos juros a serem pagos. “Sempre estamos buscando oportunidades, especialmente por meio de novas captações. Não estamos fazendo renegociação, mas sim procurando formas de deixar o perfil da dívida melhor”, diz.

O ponto positivo, destaca Gaia, é a baixa alavancagem frente os concorrentes. No primeiro trimestre, a BBM encerrou com R$ 504,4 milhões de dívida líquida, o equivalente a 2,78 vezes o Ebitda.

André Gaia, CFO da BBM (Divulgação)
André Gaia, CFO da BBM: companhia busca formas de melhorar perfil de dívida (Divulgação)

“Estamos vendo um arrefecimento de postura dos bancos em relação aos eventos de crédito que vimos no começo do ano. Hoje eles estão mais abertos a conversar e podemos ter alguma oportunidade”, prossegue Wrobleski.

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A título de comparação, a JSL (JSLG3), outro importante operador logístico e listado na Bolsa, viu seu lucro líquido recuar 18,9% no 1T23, com alavancagem de 3,25 vezes a dívida líquida pelo Ebitda.

Rikardy Tooge

Repórter de Negócios do InfoMoney, já passou por g1, Valor Econômico e Exame. Jornalista com pós-graduação em Ciência Política (FESPSP) e extensão em Economia (FAAP). Para sugestões e dicas: rikardy.tooge@infomoney.com.br