Bard: Google lança IA no Brasil, mas ainda há dúvidas sobre assertividade

Aplicativo de inteligência artificial generativa já pode ser usado no Brasil e em países da União Europeia

Wesley Santana

Bard chega ao Brasil com suporte ao Google Lens, de reconhecimento de imagens. Foto: Shutterstock

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O Google (GOGL34) finalmente lançou sua plataforma de inteligência artificial generativa no Brasil, após três meses da estreia nos Estados Unidos. A partir desta quinta-feira (13), ainda de forma experimental, o chatbot Bard fica disponível em língua portuguesa e outros 40 idiomas, conforme anunciou a big tech.

O Bard é a aposta do Google na corrida pelo mercado de criação de conteúdo automático, que já é disputado por concorrentes, sobretudo pela Microsoft com o ChatGPT. Neste primeiro momento, o sistema não está integrado ao buscador, mas os usuários conseguem utilizá-lo como complemento das pesquisas online, em uma aba independente.

A novidade chega com o diferencial de manter o histórico de conversas e respostas e por suportar o aplicativo de reconhecimento de imagens Lens. Com isso, o sistema é capaz de gerar textos a partir do que é fotografado pelo usuário, segundo explica Bruno Possas, vice-presidente global de engenharia para busca.

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“Seja quando você precisa de mais informações sobre uma imagem ou busca inspiração para o texto da imagem -como uma nota de agradecimento por um presente- agora você pode fazer upload de imagens com comandos que o Bard analisará a foto para ajudar. Esse recurso agora está disponível em inglês e será expandido para novos idiomas em breve”, explica o executivo.

A empresa garante que o serviço deve ajudar os usuários a gerar textos criativos, resumir tópicos completos, melhorar a produtividade, entre outros benefícios. No entanto, diferente de outros serviços que já encontraram formas de lucrar, ainda não está claro como a empresa deve monetizar a funcionalidade.

“Neste momento, monetização não é a nossa preocupação”, declarou a gerente de comunicação do Google Brasil, Claudia Tozetto. “Queremos usar esse experimento para entender como as pessoas colaboram com a IA generativa e, então, melhorar o produto”.

Assertividade ainda é um problema

Uma das principais discussões quando o assunto é sistemas de IA é sobre a assertividade das plataformas, que nem sempre dão respostas condizentes com a realidade. O próprio Google foi pego de surpresa, justamente no lançamento do serviço, em março, quando o Bard deu uma resposta errada a respeito de telescópios espaciais, fato que culminou na queda das ações da companhia na bolsa de valores.

Questionado pela reportagem, nesta quarta (12), sobre o nível de exatidão das respostas, o Google respondeu que “não tem informações para compartilhar”.

Outro problema em discussão é a contaminação da IA por vieses e preconceitos, sejam eles de gênero, raça ou idade. Neste caso, o Google garante que tem investido na revisão por humanos, mas que, agora, como o sistema está em sua versão experimental, pode ocorrer casos de reprodução de estereótipos existentes na internet, já que essa é a fonte dos dados.

“O processo contínuo de revisão por pessoas é o que vai fazer com que, ao longo do tempo, o modelo demonstre esses vieses e preconceitos. É um processo interativo, complexo, mas que gera muito resultado. Isso não é muito diferente do que utilizamos para melhorar a qualidade dos resultados na busca”, declarou Possas.

Segundo a big tech, os usuários poderão contribuir com o aprimoramento da plataforma por meio de um link que permite reportar eventuais problemas com o conteúdo gerado.