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SÃO PAULO – Deutsche Bank, Citigroup, Barclays e Bradesco estão entre os 130 bancos, que juntos somam mais de US$ 47 trilhões em ativos, ou um terço da indústria global, que adotaram quatro novos princípios de “banco responsável” em conjunto com a ONU (Organização das Nações Unidas).
A ideia é que bancos se posicionem sobre o meio ambiente e combatam as mudanças climáticas, concedendo menos crédito para empresas de combustíveis fósseis.
“Esses princípios significam que os bancos precisam considerar o impacto de seus empréstimos na sociedade – não apenas em seu portfólio”, disse Simone Dettling, líder da equipe bancária da Iniciativa Financeira da ONU para o Meio Ambiente, com sede em Genebra, em entrevista à Reuters.
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Sob pressão de investidores, reguladores e ativistas climáticos, alguns grandes bancos reconheceram o papel que os credores deverão desempenhar em uma rápida transição para uma economia de baixo carbono.
Os financiamentos de projetos de petróleo, gás e carvão têm sido estudados minuciosamente à medida que os cientistas de clima intensificam os apelos para mudar a profunda dependência da economia global de combustíveis fósseis.
Entre os outros bancos que aderiram à iniciativa “Princípios de um Banco Responsável” estão o Danske Bank, o ABN Amro, o BNP Paribas, o Commerzbank, o Lloyds Banking Group e Societe Generale, de acordo com um comunicado divulgado pela ONU.
Ainda, algumas instituições não bancárias também estão apoiando a iniciativa em conjunto com a organização. Entre elas a brasileira Febraban, Finance Norway, Boston Common Asset Management, European Banking Federation, Mesa de Finanzas Sostenibles, entre outras ao redor do mundo.
Segundo a ONU, os setores bancário e privado podem se beneficiar do investimento ao apoiar essa transição. “Estima-se que o cumprimento dos princípios possa liberar US$ 12 trilhões em economia e receita anualmente e criar 380 milhões de empregos a mais até 2030”, diz a nota da organização.
Os “Princípios para um Banco Responsável” foram lançados no último domingo (22) em Nova York, durante a Assembléia Geral das Nações Unidas. Mais de 45 CEOs, juntamente com o Secretário-Geral da ONU, participaram da cerimônia de lançamento. O evento acontece também nesta segunda-feira (23).
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Os princípios do acordo da ONU e bancos
Os princípios, elaborados em conjunto pelos funcionários da ONU e bancos, exigem que os credores:
- Alinhem suas estratégias com o Acordo de Paris de 2015 para conter o aquecimento global e com as metas apoiadas pela ONU para combater a pobreza, chamadas Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs, na sigla em inglês);
2. Estabeleçam metas para aumentar os “impactos positivos” e reduzir os “impactos negativos” nas pessoas e no meio ambiente;
3. Trabalhem com os clientes para incentivar práticas sustentáveis;
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4. Sejam transparentes e responsáveis com o próprio progresso nesse processo .
Os principais apoiadores afirmam que as normas incentivarão os bancos a desviar suas carteiras de empréstimos de ativos em carbono e redirecionar o capital para setores mais ecológicos.
Os críticos argumentam que os bancos devem ir muito além, comprometendo-se a reduzir progressivamente o financiamento de projetos de combustíveis fósseis e do agronegócio que impulsionam o desmatamento na Amazônia, sudeste da Ásia e outras regiões.
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No entanto, os novos padrões também podem forçar os bancos participantes a escolher entre negócios lucrativos de clientes em setores de altos níveis de emissão de carbono e o risco de serem acusados de retroceder nos princípios, se continuarem financiando essas empresas.
Embora a iniciativa seja voluntária, Simone, que desempenhou um papel central durante 18 meses de negociações com o grupo dos 30 bancos fundadores da iniciativa, afirmou que os credores relutariam em aceitar o risco de manchar a reputação ao perder seu status de participantes do acordo e por isso vão se empenhar em manter os princípios.
“Eles precisam demonstrar que estão progredindo – e dentro de um prazo determinado. Em última análise, os bancos que não ficarem alinhados com seus compromissos e não progredirem podem ser despojados de seu status de signatários do acordo”, disse ela.
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