Balanço ruim faz ação da MRV valer menos de R$ 10 pela 1ª vez em 4 meses

Papéis registram queda de mais de 6% pelo segundo dia seguido; lucro líquido do 4º trimestre ficou mais de 20% abaixo do esperado, e expectativa para o 1º tri é de novos resultados ruins

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*Primeira versão publicada às 10h58 (horário de Brasília)

SÃO PAULO – A expectativa negativa do mercado para os resultados de 2012 da MRV Engenharia (MRVE3) de fato se concretizou. Os números apresentados na noite anterior vieram aquém do previsto, levando as ações da construtora não só ao seu terceiro pregão consecutivo de forte queda nesta sexta-feira (15) como também ao seu menor patamar desde novembro do ano passado.

Segundo cotação das 12h18 (horário de Brasília), os papéis MRVE3 apresentavam queda de 6,19%, cotados a R$ 10,00, liderando com folga a ponta vendedora do Ibovespa. Se mantido esses níveis de oscilação, será o 3º dia do mês que essas ações terão caído mais de 6% – as outras duas vezes foram ontem e no dia 5 (dia que o Ibovespa bateu seu menor patamar do ano) -, garantindo a elas o incômodo posto de um dos piores desempenhos do Ibovespa em março, acumulando até este horário desvalorização de 21,3% no mensal. A única ação do índice que também caiu mais de 20% no mês até o momento é a OGX Petróleo (OGXP3, R$ 2,47, -21,59% no mês).

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O balanço
Segundo o balanço divulgado após o fechamento do pregão de quinta-feira, a MRV fechou 2012 com um lucro líquido 30,6% menor do que aquele reportado em 20111, ficando em R$ 528 milhões. Olhando apenas para o 4º trimestre do ano, também houve queda em relação ao mesmo período de 2011, indo de R$ 209 milhões para R$ 115 milhões – variação negativa de 44,9%. Vale mencionar que o número do 4T12 também ficou mais de 20% abaixo do que era esperado pelos analistas, segundo média calculada pela Reuters.

O desempenho ruim da última linha do balanço refletiu o mau desempenho operacional no período – embora a receita líquida acumulada em 2012 tenha crescido 6,2% em relação a 2011, para R$ 4,266 bilhões, o desempenho no último trimestre ficou 12,5% abaixo do que foi visto no mesmo período do ano anterior, em R$ 1,023 bilhão. Já o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) trimestral despencou 40,5% na mesma base comparativa, para R$ 171 milhões. No ano, o indicador caiu 22,3%, para R$ 812 milhões.

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, a redução na receita está relacionada com o nível mais baixo de lançamentos no trimestre. Outro fator negativo foi a queda na margem bruta (lucro bruto/receita líquida), que refletiu o aumento dos custos na fase final de construção, as despesas com juros e melhorias de condições de trabalho. “Embora isso possa melhorar com os projetos mais recentes, não esperamos que as margens voltem aos níveis anteriores”, avaliam os analistas.

O próprio vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa, reconhece que os números da companhia não vieram conforme era esperado. “O ano começou com uma expectativa de crescimento econômico muito maior do que efetivamente aconteceu (…), com as vendas ficando um pouco abaixo do que a gente tinha imaginado no início do ano”, disse Corrêa em entrevista à Reuters. O executivo também mencionou que a atualização dos parâmetros do programa “Minha Casa, Minha Viva”, no início de outubro aconteceram um pouco mais tarde do que o esperado, pressionando também os resultados.

1º tri não deve animar
Como se não bastasse os números ruins no 4º trimestre do ano, a expectativa para os primeiros três meses de 2013 da MRV não empolga. “Seguimos cautelosos quanto aos resultados das incorporadoras em geral, acreditamos que o 1T13 também não será de resultados animadores”, disse em relatório o time de análise da Planner Corretora.

A XP também vai ainda além e vê no primeiro trimestre deste ano um resultado ainda pior do que o último reportado pela construtora. A corretora ressalta que alguns pontos positivos podem ser observados, como uma recuperação na margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) e a manutenção do fluxo de caixa positivo. Contudo,essa mudança de cenário da companhia deve resultar em revisões negativas nas expectativas dos próximos resultados e, consequentemente, do desempenho da ação.

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“Todos estes são sinais de que a MRV está chegando a um estágio de maturidade em seus negócios, o que significa que terá de ser precificado como um negócio maduro. Vamos atualizar o nosso preço justo e nossa opinião para a empresa com este novo cenário em mente”, conclui a corretora.

Thiago Salomão

Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers