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SÃO PAULO – O resultado apresentado pela Telesp (TLPP4) nesta manhã foi recebido sem surpresa por analistas. Embora a empresa tenha mostrado a evolução da base de usuários de internet e televisão, os serviços de voz impediram a melhora das receitas. No curto prazo, as corretoras continuam a avaliar que o principal driver será a incorporação dos papéis da Vivo (VIVO4).
A receita líquida da companhia permaneceu praticamente estável na comparação anual, com um aumento de 0,2%, para R$ 4 bilhões. Por sua vez, o Ebitda (geração operacional de caixa) registrou recuo na comparação com o quarto trimestre de 2009, caindo 1,1%, para R$ 1,4 bilhão. A margem Ebitda (relação entre a receita e a geração operacional de caixa) cresceu 3 pontos percentuais na passagem trimestral, mas recuou 0,5 ponto percentual de 2009 para 2010, atingindo 35,6%. Pressionado por gastos operacionais, o lucro líquido caiu 9,2%, para R$ 623 milhões.
Em linha
A receita divulgada pela Telesp ficou 1% abaixo das estimativas do Barclays, embora tenha ultrapassado em 12,8% a projeção da Link. Para Luciana Leocádio, analista da Ativa, o resultado em linha refletiu o crescimento da banda larga e dados corporativos, de 19% de 2009 para 2010, assim como das ligações de longa distância nacional, de 3,9% comparando o mesmo trimestre do ano passado. Por outro lado, a queda no tráfego de voz local provocou uma redução de 6% nesta linha da receita.
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“A Telesp continua lutando para reter os clientes da telefonia fixa”, afirmam os analistas James Rivett, Alexandre Garcia e Alejandro Gallostra em relatório do Citigroup. Outro ponto a pressionar o resultado da companhia foram os gastos operacionais excluindo-se eventos não recorrentes, que subiram 7,1% na comparação do quarto trimestre de 2009 e 2010.
Por sua vez, o Ebitda ficou em linha com as expectativas do Citigroup e 9,9% acima do esperado pelo Barclays. Por outro lado, o Ebitda recorrente decepcionou, “sublinhando o desafio de administrar um negócio de custos fixos com a receita estagnada em um mercado competitivo”, diz o Barclays.
Aquisição da Vivo é foco no curto prazo
O consenso entre os analistas da Ativa, Link e Citigroup é claro ao considerar que o maior driver para a valorização dos papéis da companhia no curto prazo será a incorporação da Vivo, com a integração operacional.
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“Esperamos significativos ganhos de sinergias em despesas comerciais e atendimento ao cliente e eliminação de custos de interconexão entre as empresas”, diz a analista Maria Tereza Azevedo, da Link Investimentos, que acredita que o mercado prestará bastante atenção às sinergias capturadas e à metodologia de integração.
A recomendação da Link, frente ao forte desconto dos papéis em relação à Telefónica e à visão estratégica favorável, é de outperform (expectativa de performance acima da média do mercado). O Citigroup recomenda a manutenção, enquanto a Ativa mantém posição neutra, com preferência pela exposição às ações da Vivo, cujo valuation parece mais atrativo. A classificação dada pelo Barclays é de equalweight.