Balanço da BR Foods decepciona e ações encaram queda de 1,78%

Analistas comentam pressões do segmento de exportação e de maiores despesas, mas têm boa perspectiva para a empresa

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SÃO PAULO – Impactado por uma rentabilidade de volumes de exportação menor, bem como por gastos maiores que o esperado, o resultado da Brasil Foods (BRFS3) referente ao quarto trimestre decepcionou o mercado nesta sexta-feira (23). Citigroup e Barclays dão um tom negativo à análise, enquanto a Concórdia aproveita para elogiar o balanço de 2011 como um todo.

Na BM&FBovespa, as ações da empresa recuaram 1,78%, sendo cotadas a R$ 36,90, enquanto o benchmark nacional fechou perto da estabilidade, com leve baixa de 0,02%. No entanto, na mínima do pregão, os papéis tocaram o patamar de R$ 35,01, o que representa uma queda de 4,21%.

O volume financeiro movimentado pelo ativo BRFS3, por sua vez, surpreendeu. Foram R$ 209,02 milhões em negócios com a ação, frente a uma média móvel das últimas 21 sessões de R$ 74,95 milhões.

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Vendas ao exterior são voláteis
Como lembra Gabriel Vaz de Lima, do Barclays, o negócio de exportação da companhia é volátil, porque é relacionado a vendas de commodities. “Isso explica por que a BRF trabalha em fusões e aquisições para expandir internacionalmente seu segmento de alimentos processados”, diz o relatório.

Mas não só esse fator pressionou o resultado, já que os dois maiores mercados para os quais a empresa envia seus produtos diminuíram a demanda por conta de estoques elevados. Japão e Oriente Médio respondem por 45% do comércio ao exterior, e devem continuar impactando o faturamento até o segundo semestre, quando o banco espera normalidade na região.

Leonardo Zanfelicio, da Concórdia, comenta que mesmo com esses desafios, somados à apreciação do real contra divisas estrangeiras, atrasos nos embarques e a alta dos preços do principal insumo do setor, que são os grãos, os números da Brasil Foods para o acumulado do ano foram positivos.

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Despesas derrubam margens
De acordo com Carlos Albano, do Citi, o nível de despesas administrativas e de produtos vendidos foi acima das expectativas gerais, o que reduziu o lucro líquido e os indicadores de eficiência da produtora de alimentos. A margem Ebitda (geração operacional de caixa), por exemplo, ficou em 13%, 2 pontos percentuais abaixo do quarto trimestre de 2010.

A redução só não foi mais intensa porque o período inclui as festas de final de ano, o que impulsionou as receitas, principalmente de processados. Mesmo assim, o segmento de carnes teve performance negativa. Por fim, o analista cita as perdas de R$ 220 milhões em despesas financeiras por conta de taxa cambial, que também pioraram o balanço da BRF.

Top pick
Apesar de comentar o resultado menor que o esperado, Barclays e Concórdia veem o médio e longo prazos da empresa como positivos. Para o banco britânico, por exemplo, a companhia é top pick do setor, e a corretora acredita em fortes sinergias a serem capturadas com a integração das marcas. Já o Citi tem recomendação neutra para o papel BRFS3.