Ata do Copom vê inflação comportada e mostra-se propenso a cortes

Copom afirma que trajetória de preços segue benéfica e mantém os olhos na variação do IPCA para a próxima reunião

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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) divulgou nesta quinta-feira (7) a ata de sua reunião realizada nos dias 28 e 29 de abril, quando, por unanimidade, optou por um corte de 100 pontos-base na taxa Selic, para 10,25% ao ano.

A postura da autoridade refletiu o consenso quanto às maiores incertezas em relação ao ambiente econômico-financeiro e às perspectivas para a inflação, como demonstra o documento publicado.

Inflação menor

Com base no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medida oficial de inflação do Banco Central, o comitê destacou que houve uma diminuição da expectativa para a variação do índice em 2009, que passou de 4,57% para 4,30%.

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Para 2010, as estimativas de inflação também recuaram, de 4,50%, avaliados na reunião de março, para 4,30%. No cenário de mercado, também houve queda e se encontra abaixo do valor central para a meta de inflação.

“O conjunto das informações disponíveis sugere que o ciclo inflacionário observado no ano passado vem sendo superado, gradativamente”, revela a ata, o que pode sugerir novos cortes do juro básico à frente.

Economia externa mostra melhora

Apesar da melhora dos indicadores econômicos internacionais, o comitê se mantém cético quanto à recuperação da economia global. “As condições no mercado de crédito das economias maduras ainda permanecem sob estresse, com os bancos limitando o acesso ao crédito”.

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A demanda final por bens e serviços, especialmente a relacionada ao consumo das famílias, dá sinais de estabilização nos Estados Unidos e na Área do Euro, mas o investimento privado continua em colapso, avaliam.

E para a próxima reunião?

“O comitê entende também que a melhora do cenário prospectivo para a inflação em 2009 e em 2010 não foi, até o momento, incorporada na estrutura a termo da taxa de juros. Ainda assim, a despeito de haver margem para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas”.

“No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis (…) Nesse ambiente, a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas. Na eventualidade de se verificar deterioração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo comitê neste momento, a postura da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias”.

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Os membros voltarão a se reunir no próximo dia 9 de junho para as apresentações técnicas e no dia 10 de junho definir o rumo da taxa básica de juro brasileira.