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Assembleia rejeita grupamento de 50 ações para 1 e small cap segue negociada a R$ 0,07

Em boa parte dos casos, grupamentos ajudam trazer um maior número de negociações a empresas com baixos volumes movimentados na Bovespa

Por  Marcos Mortari

Correção: ao contrário de informação prévia dada nesta matéria, o grupamento das ações da Minupar não foi aprovado pelos acionistas presentes em assembleia geral extraordinária feira ontem. Assim, os papéis abrirão negociados a R$ 0,07, e não nos R$ 3,50 a que seriam negociados se o grupamento de 50 ações para 1 fosse efetivado nesta sessão.

SÃO PAULO – Mais uma small cap cujos papéis valiam centavos promove grupamento de ações na Bovespa. Conforme comunicado ao mercado na véspera, os ativos da Minupar (MNPR3) serão negociadas ex-grupamento de 50 para 1 já na sessão desta sexta-feira (24). Com isso, o preço das ações, que fechou a R$ 0,07 no último pregão, abrirá valendo R$ 3,50 com o ajuste do processo.

Em boa parte dos casos, grupamentos ajudam trazer um maior número de negociações a empresas com baixos volumes movimentados na Bovespa. Normalmente, os papéis MNPR3 contam com menos de 100 negócios diários. Nas últimas 17 sessões, o número não superou os 58 cruzamentos de compra e venda fechados – o que mostra sua baixíssima liquidez.

Em uma resposta à “ameaça” da BM&FBovespa de banir ações que valem menos de R$ 1,00 na Bolsa de Valores, muitas “penny stocks” têm anunciado grupamentos de ações, com o intuito de aumentar o valor de face de cada papel através da diminuição da quantidade de ativos negociados na Bovespa. A operação, em um primeiro momento, é vista como positiva no sentido de trazer maior liquidez para ativos que eram negociados próximos de R$ 0,01. Mas o que temos visto na prática é que os grupamentos têm aberto espaço para que aquelas ações que não tinham mais como cair simplesmente… voltassem a cair.

Para explicar isso melhor é só pensar em como funciona um grupamento. O preço da ação nestas situações não foi elevado porque mais pessoas decidiram comprar e ela se valorizou, mas sim porque o preço sofreu um ajuste para cima devido à diminuição de papéis existentes no capital social. Isso significa que o mercado pode olhar para os fundamentos daquela empresa como endividamento, fluxo de caixa, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), etc. e enxergá-la como “cara” no patamar pós-grupamento. Com isso, surge uma pressão vendedora, já que o investidor não vai querer ter em suas mãos um papel sobrevalorizado.

A consequência direta deste cenário é que os papéis que quase não tinham mais para onde cair quando a ação valia perto de 1 centavo, abriram um espaço enorme para desvalorização. Tivemos exemplos recentes que reforçam esse cenário: a JB Duarte (JBDU4), Metalgráfica Iguaçu (MTIG4) cumpriram a profecia e tiveram fortes quedas depois de agruparem seus papéis nas proporções de 100 para 1 e 50 para 1, respectivamente.

No caso da Minupar, vale destacar seu desempenho recente na Bolsa: no acumulado de 365 dias, o desempenho é estável contra queda de 13,26% do Ibovespa. De janeiro para cá, o papel acumula ganhos de 16,67% contra perda de 0,4% para o benchmark. No entanto, no acumulado dos últimos 30 dias, as ações MNPR3 somam desvalorização de 22,22%, o que põe em dúvida o que esperar dela após o grupamento.

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