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SÃO PAULO – Na última sexta-feira (12), a Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou os resultados referentes ao primeiro trimestre de 2014, alcançando um lucro líquido de R$ 5,393 bilhões no primeiro trimestre de 2014, uma queda de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando registrou lucro de R$ 7,693 bilhões.
Enquanto isso, a receita de vendas da companhia somou R$ 81,545 bilhões, uma alta de 12% na comparação com o primeiro trimestre de 2013. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) somou R$ 14,349 bilhões no primeiro trimestre, uma queda de 12% frente ao ano anterior, e registrando queda de 8% frente aos últimos três meses do ano passado.
Apesar do mercado estar mais de olho no “cenário externo”, atentando-se mais à divulgação de pesquisas eleitorais que motivaram a forte alta dos papéis da companhia estatal nos últimos dois meses, também vale a pena ficar de olho nos números apresentados pela empresa.
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Conforme apontam os analistas Vinicius Canheu e André Sobreira, do Credit Suisse, não há nada nos números apresentados pela companhia que possam mover as ações após um forte rali por conta do rali eleitoral. O Ebitda e o lucro líquido, quando ajustados por conta do PDV (Plano de Desligamento Voluntário), que gerou um impacto de R$ 2,4 bilhões e R$ 1,6 bilhão respectivamente, veio praticamente em linha com o consenso de mercado.
Porém, houve alguns pontos positivos e outros negativos que podem ser observados ao analisar os números da companhia, afirmam Canheu e Sobreira.
Pontos positivos: do lado positivo, está o custo de extração, que ficou estável, enquanto o Proef (Programa de Aumento da Eficiência Operacional) continua sendo bem sucedido e levando a um ganho de produção de 58 mil barris por dia na Bacia de Campos, embora a produção global não esteja aumentando até o momento.
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Além disso, a gestão, apesar da produção lenta, continua confiante de que alcançará a meta de aumento da produção de 7,5% ainda este ano, como reiterou em carta aos investidores. Na visão dos analistas, isso teria que implicar um aumento da produção já no mês de abril.
A importação de derivados ficou estável no trimestre, ajudada pela demanda sazonalmente menor – queda de 6% dos volumes de diesel no trimestre, enquanto houve uma queda de 1% de gasolina.
Pontos negativos: dentro os pontos negativos apontados por Canheu e Sobreira, estão o aumento de R$ 8 bilhões da dívida líquida, resultando em um fluxo de caixa líquido em R$ 10,778 bilhões negativos, ante resultado negativo de R$ 1,441 bilhão um ano antes, apesar de um resultado de investimento sazonalmente menor. Com isso, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda passou de 3,5 vezes no quarto trimestre de 2013 para 4 vezes ao final dos primeiros três meses de 2014.
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Além disso, o lucro líquido, apesar de se beneficiar da desvalorização cambial e de uma menor taxa de imposto de renda, não veio muito acima do consenso. Além disso, o desempenho do setor de gás e energia, apesar da alta dos preços em meio ao cenário pressionado do setor, veio apenas moderado, apontam os analistas do Credit.
O que estes números significam?
Com isso, os analistas do Credit concluem que a Petrobras continua apresentando resultados “apertados” e ainda permanece dependente dos aumentos de preços de combustíveis e de elevação dos níveis de produção, o que ainda não aconteceu apesar do forte rali eleitoral, que elevaram o preço de suas ações em cerca de 60% nos últimos dois meses.
Já na visão do BB Investimentos, o resultado da Petrobras veio em linha com o momento de transição da companhia, em que os atuais desafios exigem esforços de investimento e de maior alavancagem.
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A perspectiva apontada pelo analista do BB Investimentos, Nataniel Cezimbra, é positiva para a empresa. Isto embora “haja uma agenda a ser endereçada no curto e médio prazos, como a defasagem interna de preço de derivados, a elevação de geração de caixa operacional para sustentar maior endividamento, a redução do nível de investimento e o equilíbrio da capacidade de refino frente ao aumento da demanda interna de derivados”.
“Acreditamos, porém, que a companhia, ao longo de 2014, possui capacidade de recuperar sua rentabilidade e valor de mercado, principalmente pelos ganhos de eficiência e de elevação da sua capacidade operacional”, ressalta Cezimbra. Assim, os desafios a serem enfrentados são grandes, apesar do bom momento que a companhia está vivendo na Bolsa.