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SÃO PAULO – O medo de um racionamento afetou as empresas de energia elétrica na segunda semana do ano, fazendo com que alguns papéis ligados ao setor despencassem. Chuvas mais fracas no início do ano fizeram os níveis dos reservatórios das hidrelétricas chegarem a níveis preocupantes, levando a presidente Dilma Rousseff a convocar uma reunião com as empresas do setor. Nesse cenário, a Eletrobras (ELET3; ELET6) viu suas ações preferenciais classe B despencarem 13,81% nos pregões do dia 7 e 8 de janeiro, indo de R$ 11,22 para R$ 9,67.
Depois disso, a chuva veio e elevou o nível dos reservatórios, reduzindo em bastante a probabilidade de um racionamento tão cedo – algo que já vinha sendo descartado a um bom tempo por autoridades do governo. Diante disso, as ações ELET6 praticamente zeraram as perdas acumuladas naqueles dois pregões: nas cinco sessões que aconteceram entre os dias 9 e 15 de janeiro, os ativos da estatal subiram 15,17%, fechando a última terça-feira (15) a R$ 11,16.
A urgência havia feito que Dilma Rousseff convocasse uma reunião com o setor na terça-feira passada. É verdade que os níveis dos reservatórios ainda não permitiram o desligamento das térmicas – que são utilizadas em momentos de emergência. “Ainda não dá. Temos que aguardar mais um pouco”, disse Mauricio Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética). A situação melhorou, e o seu efeito foi sentido nas ações da Eletrobras.
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Contudo, é importante lembrar que o passado recente da companhia não é nada favorável: as ações preferenciais da companhia tiveram uma forte queda de 57,49% em 2012, com temores associados à MP (Medida Provisória) 579. O recuo que chegou a ser de mais de 70% durante o ano, fazendo os papéis operarem em regiões antes vistas apenas em 2004.
Ter aceitado as concessões virou boa notícia?
A desvalorização estava associada ao fato de que a companhia, por ser controlada pelo governo brasileiro, acabaria aceitando automaticamente as condições impostas na MP 579, diferentemente de outras empresas do setor, que têm lutado para que as renovações fiquem um pouco menos favoráveis às suas concessões. Na época, o próprio diretor de RI da Eletrobras, Armando Casado de Araújo, enfatizou que as renovações a valores mais baixos deve levar a empresa a zerar o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) em 2013.
Contudo, há quem acredite que essa prorrogação possa ter um lado positivo. Isso porque as elétricas que aceitaram prorrogar antecipadamente as concessões a valores mais baixos serão beneficiadas nos períodos de baixa produção hidrelétrica, geração térmica plena e elevação de preços no mercado livre, já que a lei 12.783, sancionada segunda-feira pela presidente Dilma Rousseff, transferiu o “risco hidrológico” – como é chamado esse movimento – dessas usinas para o consumidor, aponta matéria do Valor Econômico divulgada nesta quarta-feira (16).
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Nesse cenário, as principais beneficiadas são Chesf, Furnas e Eletronorte (do grupo Eletrobras), a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) e a gaúcha Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica (CEEE-GT). Por outro lado, as empresas que não aceitaram os termos para a prorrogação das concessões de usinas – Cemig (CMIG4), Cesp (CESP6) e Copel (CPLE6) – continuarão cumprindo as regras atuais e arcarão com esse risco até o fim do contrato das usinas.
Segundo a nova lei, as hidrelétricas que produzirem menos que o volume vendido em contrato – e que, por conta disso, precisam comprar energia no mercado livre para honrar seus compromissos – poderão repassar essa diferença para a conta de luz, diferentemente do que é visto no modelo atual. Essa mudança entra em vigor na primeira semana de fevereiro, quando está prevista para ocorrer a redução tarifária prometida pelo governo de 20,2% em média das distribuidoras, aponta a reportagem do Valor.