Após compra do HSBC Brasil, Bradesco é cortado por Santander por “capital mais fraco”

Os analistas do Santander, em relatório chamado, "Banco Maior, Capital mais fraco", destacam que o objetivo estratégico da operação foi se aproximar do Itaú Unibanco em termos de ativos

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SÃO PAULO – Após a compra das operações brasileiras do HSBC pelo Bradesco (BBDC4) anunciada na última segunda-feira (3), o Santander rebaixou a recomendação do banco brasileiro de compra para manutenção e introduzindo um novo preço-alvo de R$ 30,00 de 2016.

Os analistas do Santander Boris Molina, Henrique Navarro e Renata Cabral, em relatório chamado, “Banco Maior, Capital mais fraco”, destacam que o objetivo estratégico da operação foi se aproximar do Itaú Unibanco (ITUB4) em termos de ativos. Contudo, a aquisição foi feita à custa de um investimento substancial de capital, enfraquecendo assim a previsão para os índices de capital. Desta forma, avaliam, os níveis estão inferiores a metodologia de avaliação necessária para efeitos de avaliação e limita o potencial de valorização da ação. 

O Bradesco diminuiu em grande parte a sua diferença com o Itaú. Desde então, avalia o Santander, o Bradesco estava procurando oportunidades para fechar a lacuna com o seu principal pares do setor privado para desfrutar de economias semelhantes de escala e melhorar a sua posição de competitividade posição no mercado brasileiro. “Acreditamos que esta transação irá atingir essas metas, potencialmente permitindo o Bradesco declarar sua busca por escala no Brasil e buscar oportunidades de expansão em outros lugares na América Latina”, afirmam os analistas do Santander. Vale ressaltar que o Santander era um dos concorrentes do Bradesco para adquirir o HSBC e, segundo o BTG Pactual, será impactado negativamente pela operação

Os analistas do Santander avaliam que o negócio do Bradesco vai agregar valor após três anos. A projeção dos analistas do Santander é de que o retorno sobre o capital investido (incluindo a estimativa de integração das despesas) será abaixo do custo atual do capital próprio até 2019.

Espera-se uma conquista gradual de redução de custos ao longo dos próximos três anos, o que deve permitir ao banco conseguir ROEs (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) ajustados com relação ao investimento no HSBC para coincidir com as do Bradesco, de cerca de 20%, avaliam.

“No entanto, acreditamos que existem riscos de execução, dado o alto grau de sobreposição de agências entre os dois bancos. Prevemos um impacto de 250 pontos-base de capital, tendo estimado uma relação de capital CT1 (excluindo garantias governamentais) para 8,2% no esperado para 2016, depois de cair para 7,4% no fechamento da fusão, que deve ocorrer no início no primeiro trimestre de 2016. Este nível é significativamente inferior aos 11,8% que a metodologia de avaliação requer, destacam os analistas.  

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.