Após ação cair 27%, vice da Kepler diz: “estão dramatizando algo que não existe”

Segundo Olivier Colas, banco nunca expressou desejo em converter debêntures em ações da companhia R$ 10,00 mais barato que o defendido pela Kepler; ação sobe forte nesta quarta

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SÃO PAULO – Depois de atingirem seu topo histórico de R$ 42,51 em 2 de dezembro, as ações da Kepler Weber (KEPL3) iniciaram um forte movimento de queda, que culminou na desvalorização dos papéis em 27% em 5 pregões, após a publicação de uma notícia que expunha uma possível discórdia entre a empresa e seu maior credor: o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

De acordo com a reportagem da Revista Exame, a fabricante de equipamentos para armazenagem e transporte de grãos estaria a um passo de comprar uma briga com banco público. Segundo a matéria, o motivo da briga seria o valor de conversão da dívida da companhia adquirida em 2007 para ações KEPL3. Enquanto a Kepler entende que, no acordo, cada ação para conversão valeria R$ 26,00, o banco defende um valor bem menor a ser pago: R$ 16,00, enquanto os papéis estão cotados a R$ 35,03, considerando o fechamento da bolsa na última terça-feira (10).

O impasse colocou o mercado em estado de alerta depois das ações da empresa registrarem ganhos tão expressivos na Bovespa em tão pouco tempo. No entanto, sobre o desempenho do papel, o diretor vice-presidente da companhia, Olivier Colas, julga importante acrescentar outras variáveis que podem ter impactado no recente movimento de queda, como uma eventual realização de ganhos dos acionistas no fim do ano ou até um movimento natural de correção, tendo em vista uma alta expressiva como foi o caso. “Os fundamentos continuam os mesmos”, argumenta.

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“Não há motivos para crise”
Em conversa com o InfoMoney, Colas mostrou seu repúdio ao conteúdo publicado. “Estão dramatizando uma coisa que não existe. Não há motivos para crise. O BNDES nunca expressou que queria converter a debênture em ação, saindo de uma condição segura com bom retorno para um mercado de maior risco (acionário), e nada me indica que eles queiram isso”, afirmou.

O vice-presidente da companhia também aproveitou para fazer uma correção sobre o valor da dívida da empresa. Ao contrário dos R$ 150 milhões citados pela matéria – montante contraído em 2007 e parcialmente pago -, o valor atual é de R$ 58 milhões, sendo 90% deles referentes a empréstimos concedidos pelo BNDES – o que, querendo ou não, reforça a ideia de que uma possível desavença com o banco público poderia trazer problemas. Um eventual desgaste nas relações entre o banco público e a Kepler Weber poderia impactar sensivelmente nas operações da companhia, o que poderia justificar um maior receio do mercado e a consequente perda de valor dos papéis na Bovespa.

Segundo Colas, as negociações estão acontecendo e esse “entendimento diferente” entre as empresas caminha para um acordo. “O BNDES tem um entendimento diferente do nosso de como deveria ser convertido esse bônus, mas temos desenhado uma forma de resolver isso. Tem formas que estão agradando as duas partes, mas quando entramos em detalhes, ainda há complicações”, acrescentou o vice-presidente da Kepler sem apresentar o conteúdo das negociações.

Ainda há muito pano pra manga
Apesar da cenário nebuloso, Bruno Piagentini e Marco Aurélio Barbosa, analistas da Coinvalores, ponderam que há ainda “muito pano para manga” e pode haver um certo exagero na reportagem no sentido de que a relação entre as partes pode se desgastar a tal ponto de resultar numa escassez de financiamento, o que inviabilizaria o plano de crescimento da empresa. “Muitos pontos ainda precisam ser esclarecidos, como valores e qual seria a participação do BNDES num possível cenário que ele viesse a se tornar acionistas”, comentaram.

Ação reage
O mercado parece ter comprado a briga do diretor da empresa e as ações voltam a mostrar uma reação positiva na bolsa brasileira. Segundo cotação das 10h40 (horário de Brasília) desta quarta-feira (11), os papéis da Kepler Weber subiam 5,62%, a R$ 37,00, após já terem avançado 13,37% no pregão anterior.

No entanto, o ativo KEPL3 ainda acumula perdas de 13% em relação à máxima histórica alcançada em 2 de dezembro.

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.