Tráfego em queda

Apocalipse do varejo: lojas nos EUA enfrentam época mais desesperadora do ano

Lojas de departamento foram particularmente afetadas e estão cada vez mais desesperadas para impedir que o tráfego de clientes diminua ainda mais

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Entrega de presente de Natal da Amazon
(divulgação)

(Bloomberg) — Há anos consumidores nos Estados Unidos são treinados para comprar confortavelmente on-line em suas próprias casas. No entanto, quando chega a temporada de Natal, as maiores lojas de departamento do país pedem para que se dirijam a um shopping e esbanjem nas ruas.

A estratégia já não funciona. As vendas da Black Friday ficaram estáveis este ano, sem conseguir produzir a onda de compras frenética pela qual ganhou fama (embora as vendas on-line tenham sido ótimas). As lojas de departamento foram particularmente afetadas e estão cada vez mais desesperadas para impedir que o tráfego de clientes diminua ainda mais.

Ameaçadas pela nova concorrência e mais vendas do comércio eletrônico do que nunca, as lojas mais vistosas dos EUA capricharam nas vitrines de Natal, promovendo eventos extravagantes e até fazendo parcerias com grandes franquias da mídia.

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Em Nova York, a Bloomingdale’s fechou um trecho da Lexington Avenue para realizar seu grande show. A empresa contratou John Legend para uma performance com centenas de pessoas reunidas do lado de fora da loja em uma noite fria da cidade. Quando a varejista abriu a cortina de suas famosas vitrines, uma galáxia com temas espaciais foi revelada, repleta de nebulosas de néon, braços de robôs e manequins envoltos em moda futurista.

A Saks Fifth Avenue está finalizando uma reforma de US$ 250 milhões de sua principal loja, um investimento considerável que reformou totalmente os departamentos de bolsas, beleza e joias. Na temporada de festas, a varejista se uniu à Disney e ao seu sucesso de bilheteria “Frozen 2”, apostando que Elsa pode compartilhar um pouco de sua magia com um edifício cujo valor despencou quase 60% em relação aos cinco anos anteriores.

A Saks até trouxe a voz de Elsa – Idina Menzel – para cantar algumas músicas na rua junto com um grupo de dança antes de iluminar o céu da cidade com fogos de artifício.

Nas ruas preferidas dos ricos para compras, as vitrines também não decepcionaram. A loja da Bergdorf Goodman na 5ª Avenida exibia o habitual talento artístico exagerado pelo qual a varejista de luxo é conhecida ou, como definido pela empresa, sua “aclamada tradição de alta fantasia”. A vitrine levou um ano para ficar pronta e conta com uma máquina de pinball psicodélica, jardim de esculturas e festa do pijama retrô.

No entanto, a empolgação de novas lojas, como das redes Nordstrom e Neiman Marcus, é acompanhada do declínio daquelas que não conseguem se adaptar. No ano passado, a principal loja da Lord & Taylor realizou sua última venda antes de fechar definitivamente, juntamente com o fechamento da loja de artigos femininos da Saks e o fim da rede de 23 lojas da Henri Bendel, fundada há 114 anos, incluindo a unidade principal na 5ª Avenida.

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