Apesar de receita maior, lucro da Usiminas deve cair forte

Desvalorização do real deve levar a uma alta nos custos; piora no mix de vendas e queda no preço médio também devem entrar em foco

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SÃO PAULO – Ao divulgar o balanço trimestral após o fechamento desta segunda-feira (30), a Usiminas (USIM3, USIM5) deverá apresentar uma alta na receita líquida sobre o mesmo período do ano anterior. Mas as novidades positivas acabam por aí. Analistas do Citi, do HSBC e da Ágora, que recomendam a venda das ações, projetam uma piora no desempenho da empresa.

Com a desvalorização de cerca de 11% do real frente ao dólar, a equipe da Ágora projeta uma forte expansão de 78,6% nas exportações. Mas as vendas não devem ser o suficiente para evitar a queda nos ganhos. “Desvalorização do real e deterioração no mix de vendas pressionam ainda mais as margens”, escreve o analista Jonathan Brandt, do HSBC, em relatório.

Isso acontece porque, apesar de um câmbio desvalorizado ajudar nas vendas externas, os custos da empresa também devem sofrer forte alta – Aloísio Lemos e Aline Tavares, da Ágora, explicam que 49% dos custos de produção estão relacionados ao carvão e ao minério de ferro.

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A piora no mix de vendas também é abordada por todos os analistas, sendo que o HSBC projeta 78% das vendas de aço no mercado doméstico. No mesmo período do ano passado, o número era de 85%. Além disso, o preço médio também deve ter recuado, alertam Alexander Hacking e Thiago Ojea, analistas do Citi. 

Emissão de ações, custos, preços e guidance
Os investidores também devem ficar atentos a outros sinais. Brandt chama atenção para possíveis detalhes sobre um aporte de capital, apesar de considerar improvável no curto prazo, assim como pela atualização na estratégia de corte de custos, expansão do minério de ferro e planos de investimento de capital. Perspectivas para a demanda no mercado doméstico e de aumento de preços também podem ser indicadas pela empresa.

Além da emissão de capital e aumento de preços, a equipe do Citi pede que os investidores fiquem atentos a um possível guidance para as margens.

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Mercado está exagerando?
Mas as críticas à empresa não são consenso no mercado. A equipe do Goldman Sachs, que elevou a recomendação de venda para compra e a elegeu como top pick do setor na América Latina, acredita que os investidores estão exagerando nos riscos e na possibilidade de uma nova emissão de ações.

“Em nossa visão, os investidores estão focando muito no Ebitda e na margem ebitda, e não dando crédito suficiente para a virada na geração de fluxo de caixa”, alerta em relatório. Segundo o Goldman Sachs, a razão para a queda no Ebitda e na margem é que a companhia está vendendo o aço dos estoques, que foram produzidos a custos muito mais altos que os atuais.

Projeções de Ágora, HSBC e Citi
Usiminas 2T12 2T11 Variação 1T12 Variação
Receita líquida R$ 3.177,5 R$ 3.026 +5,0% R$ 2.886 +10,1%
Ebitda R$ 184,0 R$ 365 -49,6% R$ 190 -3,1%
Margem Ebitda 5% 12% -7 p.p. 7% -2p.p.
Lucro líquido – R$ 275,5 R$ 157 – – R$ 37 -644,6%

Projeção para lucro líquido e receita não contêm números do Citi